A espanhola Aena venceu o leilão de repactuação do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, com uma oferta de R$ 2,9 bilhões, superando o lance mínimo em 210,9%. Com isso, a empresa agora administra 18 aeroportos em cinco regiões do país, incluindo Congonhas, em São Paulo. O ex-diretor jurídico da Infraero, Gilvandro Araújo, comparou a Aena a uma 'nova Infraero espanhola'.
A Aena arrematou o Aeroporto Internacional do Galeão nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, na sede da B3, em São Paulo. A oferta vencedora de R$ 2,9 bilhões representou um ágio de 210,9% sobre o mínimo de R$ 932 milhões, após 26 lances em viva-voz. A principal concorrente, Zurich Airport, chegou a R$ 2,8 bilhões, enquanto o consórcio Rio de Janeiro Aeroporto ofereceu R$ 1,88 bilhão no final.
Com a vitória, a Aena passa a operar 18 aeroportos no Brasil, abrangendo cinco regiões. Anteriormente, os 17 terminais sob sua gestão respondiam por 20% do tráfego aéreo nacional. O portfólio inclui Congonhas, o terminal doméstico mais movimentado do país, além de João Pessoa, Maceió, Recife e aeroportos no Pará, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. O Galeão registrou 17,8 milhões de passageiros em 2025.
"A Aena é uma nova Infraero. Uma Infraero espanhola", afirmou Gilvandro Araújo, ex-diretor jurídico da Infraero e atual sócio do escritório Urbano Vitalino Advogados. Ele destacou a capilaridade da empresa e previu que o Galeão se tornará um hub internacional. "Esse leilão demonstrou que mais empresas passaram a disputar as concessões", completou, sinalizando o amadurecimento do setor.
Como parte do contrato, a Aena pagará à União uma contribuição variável de 20% sobre o faturamento bruto do Galeão até 2039. Até então, o Estado brasileiro detinha 49% da concessionária. Fernando Vernalha, sócio do escritório Vernalha Pereira, atribuiu a competitividade do leilão a mudanças regulatórias, como a exclusão da obrigação de nova pista.