Um surto do neurotransmissor acetilcolina em uma região cerebral fundamental ajudou camundongos a abandonar uma escolha anteriormente recompensada após a falha de uma recompensa esperada, segundo um estudo que mapeou sinais químicos no estriado durante o aprendizado por reversão.
Pesquisadores do Okinawa Institute of Science and Technology (OIST) treinaram camundongos para navegar em um labirinto em Y de realidade virtual, no qual escolher um dos braços resultava em uma recompensa. Quando a contingência de recompensa foi invertida sem aviso prévio, os camundongos que selecionaram o braço anteriormente recompensado experimentaram uma não-recompensa inesperada — um resultado que a equipe associou a um aumento na atividade da acetilcolina em todo o estriado dorsal. Usando um sensor de acetilcolina codificado geneticamente e imagens de dois fótons, os pesquisadores relataram que resultados recompensados foram associados a breves diminuições nos sinais de acetilcolina, enquanto a não-recompensa inesperada após a reversão produziu aumentos mais amplos. A magnitude desses aumentos previu se os camundongos adotariam uma estratégia de "perde-muda" — alternar para o braço oposto após não receber a recompensa esperada. Quando a equipe inibiu os interneurônios colinérgicos estriatais, os camundongos apresentaram menos respostas do tipo perde-muda, indicando um papel causal da sinalização de acetilcolina nessa forma de flexibilidade comportamental. Jeffery R. Wickens, autor sênior do estudo, e seus colegas afirmaram que os resultados ajudam a esclarecer como a dinâmica da acetilcolina estriatal contribui para a mudança de comportamento quando as circunstâncias mudam. Os autores também argumentaram que as descobertas oferecem uma estrutura mecanística para compreender comportamentos rígidos e habituais presentes em distúrbios como o vício e rituais obsessivo-compulsivos. O estudo foi publicado na Nature Communications em 17 de dezembro de 2025.