A Câmara dos Deputados do Chile aprovou na terça-feira um projeto de lei que proíbe a terceirização de serviços de call center no exterior, com 76 votos a favor e 68 contra. A medida, agora enviada ao Senado, impõe multas de até 1.000 UF às empresas infratoras. O objetivo é prevenir golpes telefônicos internacionais e impulsionar a criação de empregos locais.
A Câmara dos Deputados do Chile aprovou por uma margem estreita o projeto de lei liderado pelo deputado Gonzalo Winter (FA), com o apoio de legisladores da oposição. A votação registrou 76 votos a favor, 68 contra e quatro abstenções. A legislação proíbe as empresas de contratar serviços estrangeiros para entrar em contato com clientes por telefone, meios digitais ou outras plataformas, com multas de até 1.000 UF, equivalente a mais de 40 milhões de pesos.
O projeto inclui um artigo transitório que confere ao Presidente o poder de emitir regulamentos para fiscalização e penalidades. Winter defendeu a medida, destacando a ameaça aos empregos: “A grande ameaça ao emprego deles (…) é que esse serviço está sendo levado para fora do Chile.” Ele acrescentou que “metade dos serviços de teleoperação do Chile opera no Peru, Equador ou em países do Caribe porque pagam menos.”
O deputado Jorge Díaz (DC) enfatizou os aspectos de segurança: “Os golpes telefônicos evoluíram e, hoje, o crime organizado opera centrais de fraude com roteiros e bancos de dados.”
Do lado governista, o deputado republicano Luis Sánchez opôs-se à medida, argumentando que ela prejudica a recuperação econômica. “Não se entende (…) que sejam impostas restrições a um elemento de investimento estrangeiro”, disse ele, questionando as ligações com o crime: “Não existe um motivo fundamental que nos diga que esse serviço não possa ser prestado por uma empresa fora do Chile.”