Coinbase, a maior exchange de cripto dos EUA, retirou abruptamente seu apoio à versão do Senado da Lei CLARITY, levando ao cancelamento de uma sessão chave de markup. O movimento, anunciado horas antes da votação planejada, atraiu críticas acentuadas de líderes da indústria e da Casa Branca, que o veem como um revés para a regulamentação bipartidária de cripto. O CEO Brian Armstrong citou preocupações com disposições que poderiam impedir a inovação e favorecer bancos tradicionais.
A Lei CLARITY visa estabelecer um quadro regulatório claro para ativos digitais nos EUA, distinguindo entre títulos e commodities, e atribuindo supervisão entre SEC e CFTC. A Câmara aprovou sua versão meses atrás com apoio bipartidário, e a Casa Branca sinalizou disposição para sancioná-la como lei. No entanto, o Comitê de Bancos do Senado redigiu sua própria emenda substitutiva, introduzindo mudanças que levaram à retirada da Coinbase em 17 de janeiro de 2026, logo antes de um prazo de meia-noite antes do markup de 18 de janeiro. O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, declarou no X: 'Prefiro não ter lei do que uma lei ruim', culpando lobistas de grandes bancos por influenciarem disposições que restringem a inovação cripto. A empresa destacou quatro objeções principais: limites a ações tokenizadas, acesso expandido do governo a dados de transações DeFi sob leis antimercado, autoridade ampliada da SEC sobre mercados cripto e regras de stablecoins que poderiam impedir usuários de ganharem rendimentos e permitir que bancos freiem a competição. O presidente do Comitê de Bancos do Senado, Tim Scott (R-SC), cancelou o markup, descrevendo-o como uma 'pausa breve' para renegociação. A senadora Cynthia Lummis expressou frustração, mas enfatizou a necessidade de padrões federais. A Casa Branca, vendo o projeto como prioridade sob o presidente Trump, reagiu fortemente, com fontes chamando a ação da Coinbase de 'rug pull' e afirmando: 'Esta é a lei do presidente Trump no final do dia, não a de Brian Armstrong'. A maioria das figuras da indústria pediu compromisso. O CEO da Kraken, Arjun Sethi, disse: 'A resposta certa para questões pendentes é resolvê-las, não abandonar anos de progresso bipartidário'. Sentimentos semelhantes vieram do CEO da Ripple, Brad Garlinghouse, Chris Dixon da a16z e o conselheiro da Casa Branca David Sacks. O analista Michaël van de Poppe até sugeriu que o atraso poderia beneficiar a indústria ao evitar termos desfavoráveis. Com campanhas eleitorais de meio de mandato começando em março, o tempo é curto para os comitês de Bancos e Agricultura do Senado alinharem o projeto antes que o tempo no plenário se torne escasso. Atrasos arriscam empurrar a inovação para o exterior, onde regiões como a Europa (com MiCA) já têm regras unificadas, deixando firmas dos EUA em incerteza regulatória.