Colômbia sedia cúpula sobre transição de combustíveis fósseis

A Colômbia e a Holanda sediaram uma conferência em Santa Marta, com a presença de 57 países, para desenvolver roteiros para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. Grandes emissores, como China e EUA, não participaram. Os participantes se comprometeram com planos nacionais antes de futuras reuniões.

Em resposta ao progresso estagnado na COP30 no Brasil em novembro passado, onde petroestados bloquearam menções aos combustíveis fósseis, a Colômbia e a Holanda organizaram uma cúpula esta semana na cidade portuária de Santa Marta. O evento reuniu uma 'coalizão de dispostos', incluindo a União Europeia, Reino Unido, Canadá, Nigéria e Noruega. Johan Rockström, do Instituto de Pesquisa de Impacto Climático de Potsdam, descreveu o evento como 'não focado em negociações... mas inteiramente voltado para como acelerar e avançar na eliminação gradual dos combustíveis fósseis'. Ele classificou a iniciativa como 'uma primeira tentativa de realmente avançar na implementação'.Os participantes concordaram em criar roteiros nacionais abrangendo tanto o consumo doméstico quanto a exportação de combustíveis fósseis, antes de uma conferência de acompanhamento no próximo ano em Tuvalu e uma pré-conferência na Irlanda. Em Santa Marta, acadêmicos apresentaram um roteiro para a Colômbia reduzir as emissões de energia em 90% até 2050, o que poderia gerar US$ 280 bilhões em benefícios econômicos. A França divulgou o primeiro roteiro de um país de alta renda, estabelecendo prazos para encerrar o uso de carvão até 2030, petróleo até 2045 e gás até 2050.A cúpula abordou barreiras financeiras, como subsídios a hidrocarbonetos e pressões de dívida sobre países de baixa renda. Jeni Miller, da Aliança Global para o Clima e a Saúde, afirmou que existe 'um caminho... para parar de subsidiar combustíveis fósseis e redirecionar esses fundos' para o financiamento climático. Críticos como Simon Sharpe, da S-Curve Economics, observaram a ausência de China, Índia e África do Sul, argumentando que a diplomacia deve incluir os principais atores. Joanna Depledge, da Universidade de Cambridge, questionou se tais encontros apenas pregam para convertidos ou se realmente avançam no consenso mais amplo da COP.

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