Pesquisadores relatam que um sistema CRISPR-Cas13 voltado ao RNA pode reverter um mecanismo de evasão imune do câncer de próstata ao restaurar o MHC-I em células tumorais, melhorando as respostas à terapia com inibidores de checkpoint em camundongos. O estudo foi publicado na revista Nature Biomedical Engineering.
O câncer de próstata tem sido difícil de tratar com imunoterapia porque muitos tumores são considerados “imunologicamente frios”, o que significa que atraem poucas células T—células imunes necessárias para o funcionamento de muitas terapias com inibidores de checkpoint.
Em um estudo publicado na Nature Biomedical Engineering, cientistas descreveram uma abordagem experimental que tem como alvo a forma como as células tumorais processam o RNA mensageiro (mRNA) de uma proteína chamada SPSB1. Segundo os pesquisadores, as células do câncer de próstata podem encurtar o mRNA de SPSB1, o que aumenta os níveis da proteína SPSB1. Por sua vez, a SPSB1 contribui para a perda do complexo MHC-I—um sinal importante na superfície celular que ajuda as células T a reconhecerem células cancerígenas.
Para combater isso, a equipe utilizou um sistema CRISPR baseado em RNA estruturado em torno da Cas13, projetado para se ligar a uma região específica do mRNA de SPSB1 em vez de cortá-lo. Ao bloquear o acesso à região da cauda do mRNA, o método forçou o mRNA de SPSB1 encurtado a “se alongar” novamente, reduzindo os níveis da proteína SPSB1 e permitindo que o MHC-I retornasse à superfície da célula cancerígena.
Em experimentos com camundongos, a restauração do MHC-I tornou a terapia com inibidores de checkpoint mais eficaz: mais células imunes infiltraram os tumores e atacaram as células cancerígenas. Os pesquisadores também relataram que suas análises não encontraram efeitos off-target detectáveis decorrentes do tratamento baseado em CRISPR.
“A imunoterapia é uma maneira monumentalmente diferente de tratar o câncer... Nossa ferramenta fortalece a capacidade do sistema imune de fazer o câncer desaparecer e poderia ser usada em conjunto com as imunoterapias existentes no câncer de próstata e, potencialmente, em outros tipos de tumores imunologicamente frios”, disse Eric J. Wagner, coautor do estudo e pesquisador da University of Rochester Medicine.
O grupo de pesquisa colaborativo foi liderado por cientistas da Duke University School of Medicine, informou a University of Rochester Medicine. O trabalho foi financiado pelo National Cancer Institute, parte dos Institutos Nacionais da Saúde (NIH) dos Estados Unidos.
A equipe de Wagner planeja testar se a abordagem pode ajudar em outros cânceres imunologicamente frios. A University of Rochester Medicine informou que o grupo recebeu financiamento piloto do Wilmot Cancer Institute e do Roswell Park Comprehensive Cancer Center para explorar a tecnologia no câncer de pâncreas.