Na sequência do anúncio do Banco Central de Cuba em 18 de dezembro de 2025 sobre três taxas de câmbio oficiais (24, 120 e flutuante pesos por USD), o diretor de Política Macroeconômica Ian Pedro Carbonell Karel aborda dúvidas públicas em entrevista. As medidas protegem bens essenciais, impulsionam influxos de moeda estrangeira, reduzem a especulação e preparam a unificação das taxas em meio a ajustes econômicos graduais.
O recente lançamento pelo Banco Central de Cuba de um mercado cambial de três segmentos — Segmento I a 24 pesos por USD, Segmento II a 120 e um Segmento III flutuante — gerou interesse público e perguntas. Em entrevista, Ian Pedro Carbonell Karel, diretor de Política Macroeconômica e deputado na Assembleia Nacional do Poder Popular, esclareceu os objetivos da estratégia.
As taxas segmentadas permitem gradualismo: proteção de bens e serviços vitais, incentivo à geração de moeda estrangeira e regulação de fluxos rumo à unificação eventual e eliminação do mercado ilegal. Diferentemente das taxas fixas anteriores, o Segmento III flutua com base na oferta real, demanda, disponibilidade e condições macroeconômicas.
“O mecanismo permite ajuste flexível ao ambiente macroeconômico, minimizando distorções e transferindo a formação da taxa de câmbio de espaços informais especulativos”, explicou Carbonell Karel.
As principais vantagens incluem ancorar as taxas em transações reais para estabilidade de preços, volatilidade reduzida e consumo informado. Canais oficiais de remessas oferecem custos menores, segurança e transparência em comparação com opções informais. Colaboradores internacionais e trabalhadores humanitários trocam rendimentos à taxa do Segmento III. Saldos de contas MLC são convertidos em pesos cubanos à taxa publicada via Transfermóvil ou EnZona, sem margens comerciais.
Essas reformas contêm a inflação alinhando expectativas, embora o sucesso dependa do controle da oferta de moeda e do aumento da disponibilidade de bens em pesos. A implementação gradual minimiza choques, permitindo adaptação enquanto fomenta a reativação econômica sustentável.
“Essa abordagem está ligada à criação de incentivos compatíveis com as realidades de Cuba”, concluiu o diretor.