Cuba aperta controle estatal sobre moeda estrangeira na agricultura

O Ministério da Agricultura de Cuba emitiu a Resolução 186, exigindo registros para produtores de arroz, grãos, apicultura e carvão vegetal para regular o acesso a pagamentos em moeda estrangeira. Esta medida alinha-se a uma tendência burocrática que supervisiona exportações lucrativas como mel e carvão. Especialistas alertam que não aborda a crise agrícola do país.

A Resolução 186, assinada pelo chefe do Ministério da Agricultura de Cuba (Minag), Ydael Jesús Pérez Brito, estabelece quatro registros específicos nos escritórios municipais de Agricultura: para grãos no Departamento de Controle de Terras, apicultura na Saúde Animal e carvão vegetal no Departamento Florestal. Os produtores devem apresentar detalhes como nomes, números de identidade, endereços, informações sobre posse de terra, locais e tamanhos das parcelas e sua principal linha de produção. O registro ocorre em dias úteis de segunda a quinta-feira, das 9h ao meio-dia, e é obrigatório para acessar esquemas de pagamento em moeda estrangeira para exportações como mel e carvão vegetal, ou culturas escassas como arroz e feijão.

Esta regulamentação encaixa-se num padrão de expansão de requisitos administrativos para acesso à moeda estrangeira, um recurso escasso na economia cubana. No 13º Congresso da Associação Nacional de Pequenos Agricultores (ANAP), nos dias 16-17 de maio de 2025, foram anunciados esquemas de financiamento em moeda estrangeira controlados pelo Estado. Para carvão vegetal, a Resolução 25/2025 do Ministério da Economia e Planeamento proíbe transferências para outras contas em moeda estrangeira ou levantamentos em numerário. Para mel, os produtores recebem 650 USD por tonelada, enquanto o governo aufere cerca de 4.000 USD por tonelada exportada, conforme confirmado pelo jornal do Partido Comunista Granma.

Para arroz, os produtores recebem 55% do preço de venda em moeda estrangeira para cobrir custos como pesticidas e fertilizantes; o Estado fica com 45%, dos quais 5% para o Instituto de Investigação. No milho, feijão e soja, a entidade de comercialização retém 37% para logística de exportação, segundo o Vice-Ministro da Economia e Planeamento Roberto Pérez no congresso da ANAP.

O economista Pedro Monreal, ex-especialista da UNESCO, destaca a crise agrícola: «Uma percentagem muito elevada da despesa das famílias cubanas vai para uma só coisa: alimentação. E a crise agrícola de Cuba parece imparável.» Ele aponta a produção nacional em declínio e a incapacidade de importar devido à escassez de moeda estrangeira. A resolução reforça a supervisão estatal, vinculando a abertura de contas em moeda estrangeira a aprovações administrativas, com critérios de remoção vagos como «qualquer outra causa no interesse do Estado».

Na visão do Estado cubano, a «soberania alimentar» significa deveres de registo e adesão a esquemas descendentes, não liberdade para produzir e comercializar. O Ministro da Economia e Planeamento Joaquín Alonso Vázquez prevê aumentos de produção em arroz, feijão e mais até 2026, mas a burocracia ofusca a independência dos produtores.

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