Nos primeiros nove meses de 2025, Cuba importou produtos agrícolas no valor de 355 milhões de dólares dos Estados Unidos, 15% mais que no ano anterior. Este valor recorde inclui aumentos significativos em carne de porco, açúcar, café, grãos e ração animal, apesar da crise na produção nacional. As autoridades cubanas enfrentam desafios na soberania alimentar em meio ao embargo dos EUA, embora as vendas de alimentos estejam isentas desde 2001.
A dependência de Cuba das importações de alimentos dos Estados Unidos intensificou-se em 2025, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA. Entre janeiro e setembro, a nação caribenha gastou 355 milhões de dólares nesses produtos, superando em 15% o mesmo período de 2024.
Um dos aumentos mais notáveis foi no porco, com compras totalizando 33,6 milhões de dólares, mais que o dobro dos 16,3 milhões gastos no mesmo período de 2014. Este aumento coincide com uma crise na produção local: no ano passado, foram produzidas apenas 9.000 toneladas, quase metade das 16.500 toneladas de dois anos antes e 95,5% menos que as 200.000 toneladas de 2018. Os agricultores atribuem esses baixos rendimentos à escassez de ração animal e dificuldades em encontrar mão de obra.
Produtos icônicos como o açúcar também destacam essa dependência. Cuba, outrora maior produtor mundial, importou açúcar no valor de 14,9 milhões de dólares este ano, contra 11,1 milhões em 2024. Tradicionalmente, o país consumia 700.000 toneladas e exportava o excedente, mas agora importa para abastecer a população e não consegue cumprir contratos de exportação. Desde pelo menos 2020, cada colheita de açúcar é a pior em um século.
As importações de café subiram 32%, de 8,4 milhões para 11 milhões de dólares, devido a uma queda de 51% na produção nacional nos últimos cinco anos, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas e Informação. A prioridade às vendas externas deixa os cubanos sem acesso nas lojas de racionamento, forçando-os a recorrer a mercados informais com misturas de baixa qualidade.
As importações de tabaco dispararam 83% para 355.000 dólares ante 194.000 dólares no ano anterior, apesar de vendas internacionais recorde de produtos premium; a produção local não atende à demanda interna. Grãos e ração animal quase quadruplicaram para 23,8 milhões de dólares ante 6,8 milhões, um recorde de cinco anos.
Cuba depende de importações para mais de 80% de suas necessidades alimentares básicas, provenientes de países como Guiana, Vietnã, China, Turquia, Venezuela e Portugal. As vendas de alimentos e medicamentos dos EUA para Cuba estão isentas do embargo desde 2001, mas exigem pagamento adiantado.