A Bolsa de Cereais de Rosario projeta que a produção de grãos na campanha 2025/26 atingirá um recorde de 154,8 milhões de toneladas, 12% acima do pico histórico anterior. No entanto, as exportações gerarão apenas US$ 36,8 bilhões devido à queda dos preços internacionais. Milho e trigo liderarão esse crescimento na produção.
A Bolsa de Cereais de Rosario (BCR) divulgou um relatório projetando um novo recorde na produção de grãos para a campanha 2025/26, alcançando 154,8 milhões de toneladas (Mt), um aumento de 12% em relação ao recorde anterior de 141,5 Mt na temporada 2018/19. Esse avanço se deve a condições climáticas favoráveis, com uma primavera que forneceu a umidade necessária no solo, rompendo uma sequência de anos secos e frios.
Na colheita de grãos grosseiros, o trigo registrará um recorde histórico de 27,7 Mt, acompanhado por 5,6 Mt de cevada, um "duplo recorde" segundo o relatório. Para o milho, após a queda do ano passado devido à praga da cigarrinha, projeta-se uma estimativa de 61 Mt, um crescimento de 22% em relação ao ano anterior, graças ao plantio de variedades precoces com maior potencial de rendimento.
A soja, no entanto, terá uma redução de 5% para 47 Mt, devido à diminuição de 1,4 milhão de hectares transferidos para milho e girassol. Este último alcançará 5,5 Mt com 2,7 milhões de hectares, a maior área do século. O sorgo cairá para 2,4 Mt com 13% menos superfície.
As exportações totais de grãos, farinhas, óleos e biocombustíveis alcançarão 110 Mt, um recorde histórico e 7,5 Mt a mais que o ciclo anterior. O milho liderará com 40 Mt, seguido pelo trigo com 17 Mt, enquanto a soja cai para 5,5 Mt ante 12,2 Mt. No entanto, o valor total dessas vendas será de US$ 36,8 bilhões, apenas US$ 600 milhões a mais que a campanha atual, pois "a queda nos preços internacionais de commodities agrícolas absorve a maior parte do efeito de volume", alerta o relatório.
Para o Banco Central, a oferta de dólares no Mercado de Câmbio Livre será de US$ 33,6 bilhões, 8% menos que em 2025, devido ao adiantamento de liquidações pela eliminação temporária de retenções em setembro de 2025. A receita de direitos de exportação subirá para US$ 4,83 bilhões, 4% mais, com o complexo soja contribuindo US$ 3,67 bilhões e o milho com um salto de 32%.
Essa perspectiva é influenciada pelo início negativo de 2026 para a soja, com preços em baixa em Chicago e Rosario no dia 2 de janeiro.