Cuba enfrenta atrasos nas rações de arroz e debate sobre produção local

Moradores de Camagüey ainda aguardam as quatro libras de arroz prometidas no início de dezembro, parte dos produtos racionados subsidiados. O governo cubano luta com escassez de moeda estrangeira que impede o cumprimento da cota mensal de sete libras por pessoa, enquanto promove ideias controversas para reduzir o consumo e apertar controles sobre agricultores. Especialistas e agricultores argumentam que investir na produção doméstica seria mais eficiente que importações custosas.

Em dezembro de 2025, as autoridades cubanas prometeram distribuir produtos racionados como arroz, ervilhas, óleo e café para aliviar os orçamentos familiares antes das celebrações de fim de ano. No entanto, a maioria desses itens nunca chegou aos destinatários, e o Ministério do Comércio Interno permanece em silêncio sobre as rações de dezembro e janeiro de 2026. Cuba garante teoricamente sete libras de arroz por pessoa por mês a preços subsidiados, 20 a 30 vezes inferiores ao mercado de oferta e demanda. O consumo per capita é de quase 50 quilos anuais, impulsionado por tradições e limitações dietéticas.  nnA escassez de moeda estrangeira impediu o cumprimento dos ciclos de distribuição de 2025, deixando uma dívida de mais de 150.000 toneladas, equivalente a cerca de 60 milhões de dólares. O governo considera as rações insustentáveis e sugere limitá-las a setores vulneráveis. No programa de TV de dezembro “Cuadrando la caja”, um agrônomo do Ministério da Agricultura afirmou que “os cubanos consomem arroz demais – um hábito que deve mudar”. O apresentador Marxlenin Perez Valdes tem laços com a família Castro, indicando apoio oficial. A rejeição unânime pausou os planos, e os cadernos de ração de 2026 foram emitidos.  nnAgricultores em províncias como Granma, Camagüey e Sancti Spíritus, onde o arroz é cultivado há mais de 200 anos, culpam os controles obsessivos do Estado pela limitação da produção, não o clima ou escassez de recursos. Um agricultor de Camagüey disse: “Quando a safra começa, este lugar fica cheio de chefes que garantem que nem um saco seja retido para venda ao Acopio, mas antes disso, ninguém se preocupa com como conseguimos sementes, combustível ou químicos.”  nnA Resolução 186 de dezembro do Ministério da Agricultura exige inscrição em registros para pagamentos em moeda estrangeira ou financiamento, excluindo não inscritos de acordos de novas formas de gestão desde 2022, que triplicam os rendimentos por parcerias com privados para insumos. O agricultor arrozeiro de Camagüey Miguel Alfredo Abelarde refletiu: “Em vez de tantos registros e controles, não seria melhor alocar parte da moeda estrangeira gasta comprando arroz no exterior para produzi-lo aqui? Até 2018, com o ‘programa vietnamita’, provou-se que a produção poderia cobrir a demanda nacional.”  nnNa década de 2010, com apoio vietnamita, a produção cresceu 20% ao ano, superando 300.000 toneladas em 2018, visando duplicá-la para atender 80% da demanda; o arroz local era 50% mais barato. Mas cortes de recursos, promoção de métodos ecológicos e substituição de tratores por equipes de bois fizeram a produção cair mais de 70%, tornando as importações insustentáveis. Um agricultor de Sancti Spíritus protestou: “Não há como entender como é melhor pagar 400 ou 500 dólares por tonelada importada, e não 200 ou 300 por uma cultivada em Cuba.” Abelarde acrescentou que o tabaco recebe combustível para gerar divisas de exportação, enquanto o arroz, para o mercado interno, não.

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