A República Popular da China anunciou medidas de salvaguarda para importações de carne bovina a partir de 1 de janeiro de 2026, com cotas específicas por país e tarifas de 55% sobre volumes excedentes. Elas afetarão a Argentina, com limites de 511.000 toneladas em 2026, 521.000 em 2027 e 532.000 em 2028. Especialistas estimam que o impacto inicial será limitado, mas pode incentivar a diversificação de mercados.
A República Popular da China implementará medidas de salvaguarda sobre importações de carne bovina a partir de 1 de janeiro de 2026, com duração de três anos até 31 de dezembro de 2028. Estas incluem cotas tarifárias específicas por país, com tarifa de 55% sobre volumes que excedam os limites estabelecidos. Os países afetados, por ordem de volume, são Brasil, Argentina, Uruguai, Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos.
Para a Argentina, o limite isento de impostos é de 511.000 toneladas em 2026, 521.000 em 2027 e 532.000 em 2028. Segundo dados do Instituto de Promoción de la Carne Vacuna Argentina (IPCVA), entre janeiro e novembro de 2025, foram exportadas 453.860 toneladas para a China, representando 70% dos embarques totais, uma queda de 12,5% no volume em relação a 2024, mas um aumento de 20,2% na receita em moeda estrangeira para US$1.723 milhões.
Fernando Herrera, presidente da Asociación de Productores Exportadores Argentinos (APEA), afirmou que as cotas "estão alinhadas com o que temos exportado nos últimos anos, portanto parece que não nos afetará tanto. Claro, isso impactará o crescimento do volume, porque com a tarifa de 55%, pode ser difícil crescer". Ele acrescentou que isso pode ser positivo para buscar outros mercados, como a potencial cota de 88.000 toneladas para os Estados Unidos.
Herrera também destacou incertezas quanto à administração das cotas na Argentina e à certificação para embarques de janeiro. O consultor Víctor Tonelli estimou as exportações de 2025 para a China em cerca de 500.000 toneladas, podendo cair para 400.000 em 2026 devido a maiores envios aos EUA e menor oferta de gado, ficando abaixo do limite. "Para 2027, não acho que a 'cota China' nos afetará", concluiu Tonelli.
Essas medidas forçam a Argentina a repensar seu modelo de produção, promovendo a diversificação dos destinos de exportação.