Argentina se beneficia enquanto China define cotas favoráveis de importação de carne bovina

Com base nas medidas de salvaguarda anunciadas pela China em 1º de janeiro de 2026, que impõem cotas específicas por país para importação de carne bovina até 2028 com tarifas de 55% sobre volumes excedentes (12,5% dentro dos limites), a Argentina recebe 511.000 toneladas — superando as exportações de 2025 em cerca de 100.000 toneladas —, posicionando-a e o Uruguai como principais beneficiários em comparação ao Brasil e à Austrália. Isso alivia preocupações no setor pecuário argentino, apoiando o crescimento sem restrições severas, embora limite expansões maiores.

A economista Antonela Semadeni, da Fundación Agropecuaria para el Desarrollo de Argentina (FADA), observou que a China absorve 60-70% das exportações argentinas de carne bovina. A cota evita limitar as vendas atuais, mas restringe o crescimento significativo ao longo de três anos: 'Não nos limita hoje, mas impede que cresçamos', disse ela ao Canal E. As medidas abordam preocupações da indústria doméstica chinesa sem evidências de dumping.

O consultor de pecuária Víctor Tonelli chamou a Argentina e o Uruguai de 'claros vencedores', destacando a cota global de 2,7 milhões de toneladas (15% abaixo dos níveis de 2025), mas com aumentos anuais de 2% e possíveis flexibilidades. Ele também apontou oportunidades como uma cota extra de 80.000 toneladas nos EUA a preços premium.

Na Argentina, as exportações são vitais para 2026, em meio a estoques de gado estagnados há 20 anos e aumentos de preços de 75% (ex.: asado) que superam a inflação em 40 pontos percentuais. Semadeni citou escassez global que impulsiona prêmios nos EUA (US$ 9.000/t) e na cota Hilton (US$ 18.000/t). Tonelli observou uma queda de 8% no volume de exportação em 2025, mas aumento de 40% no valor por tonelada, apoiado por 21 meses de ganhos de preços internacionais rastreados pela FAO.

Vigentes de 2026 a 2028 com cláusulas de revisão, as cotas coincidem com a liberalização de exportações e preços firmes que auxiliam a recuperação — embora o acesso ao crédito permaneça fundamental. Mudanças no consumo doméstico para carne suína e de aves alinharam o consumo per capita em 46-47 kg, aproximando-se dos níveis de carne bovina.

Artigos relacionados

Argentine and US officials shake hands sealing trade deal expanding beef exports to 100,000 tons.
Imagem gerada por IA

Argentina assina acordo comercial com os Estados Unidos

Reportado por IA Imagem gerada por IA

O ministro das Relações Exteriores Pablo Quirno anunciou um acordo comercial entre a Argentina e os Estados Unidos que amplia a cota de exportação de carne bovina para 100.000 toneladas e remove barreiras tarifárias em setores-chave. O acordo visa fortalecer os laços econômicos bilaterais e pode impulsionar as exportações em até $1,013 milhões. O setor agrícola, particularmente os exportadores de carne, saudou o pacto como um grande avanço.

A República Popular da China anunciou medidas de salvaguarda para importações de carne bovina a partir de 1 de janeiro de 2026, com cotas específicas por país e tarifas de 55% sobre volumes excedentes. Elas afetarão a Argentina, com limites de 511.000 toneladas em 2026, 521.000 em 2027 e 532.000 em 2028. Especialistas estimam que o impacto inicial será limitado, mas pode incentivar a diversificação de mercados.

Reportado por IA

Brazil's beef exports to China surged in January 2026, risking exhaustion of the annual quota by September. The government warns that uncontrolled shipments could trigger a domestic price collapse and job losses in the cattle sector. China has set a 55 percent tariff on imports exceeding the quota.

O setor agroexportador argentino elogiou o progresso alcançado em 2025 sob o governo do presidente Javier Milei, destacando a estabilização macroeconômica, a previsibilidade nas taxas de câmbio e inflação, e as reduções nos direitos de exportação de grãos. Gustavo Idígoras, chefe da CIARA e CEC, previu uma política mais estável para 2026 beneficiando a agricultura. Essas medidas produziram sinais positivos em meio a um ano de mudanças intensas.

Reportado por IA

O consumo interno da Argentina encerrou 2025 com um ligeiro aumento de 1,3% durante as férias de Natal, segundo Salvador Femenia, secretário de Imprensa da CAME. No entanto, o emprego formal perdeu mais de 240.000 postos desde o início do governo Milei, com desafios contínuos em reservas e estabilidade cambial. Especialistas como Roberto Rojas enfatizam a necessidade de acumular dólares para cumprir os vencimentos da dívida em 2026.

O Conselho Europeu aprovou nesta sexta-feira (9) o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, com apoio de 21 dos 27 países-membros, após negociações iniciadas em 1999. Apesar do avanço, obstáculos persistem, incluindo aprovação do Parlamento Europeu e possíveis contestações judiciais de nações como a França. A assinatura está prevista para 17 de janeiro em Assunção, no Paraguai.

Reportado por IA

O déficit comercial do Brasil com os Estados Unidos saltou de US$ 283 milhões em 2024 para US$ 7,5 bilhões em 2025, multiplicando-se por 26 após as medidas tarifárias impostas pelo presidente Donald Trump. Esse é o 17º ano consecutivo em que o fluxo de bens favorece os americanos, com exportações brasileiras caindo 6,6% e importações crescendo 11%. Autoridades brasileiras atribuem parte do impacto às tarifas, mas também a fatores econômicos internos e à menor demanda por petróleo.

 

 

 

Este site usa cookies

Usamos cookies para análise para melhorar nosso site. Leia nossa política de privacidade para mais informações.
Recusar