O governo brasileiro ainda não sabe se as exportações de carne bovina em trânsito para a China contarão para as novas cotas de importação impostas por Pequim. Autoridades estimam que o volume em trânsito é pequeno em comparação com as exportações totais do ano passado. O setor pecuário expressa preocupação com possíveis impactos nas vendas futuras.
O Ministério do Comércio do Brasil informou que ainda não há clareza sobre se a carne bovina brasileira em trânsito para a China será incluída nas cotas de importação anunciadas pelo país asiático na semana passada. Herlon Brandão, chefe do departamento de estatísticas do ministério, destacou que, com base nas informações disponíveis, esses volumes representam uma quantidade "pequena" em relação às 1,5 milhão de toneladas métricas exportadas para a China em 2025.
A China absorveu cerca de metade das exportações totais de carne bovina do Brasil no ano passado, que alcançaram um recorde acima de 3 milhões de toneladas. Em resposta, Pequim impôs uma tarifa adicional de 55% sobre importações que excedam as cotas dos principais fornecedores, como Brasil, Austrália e Estados Unidos, visando proteger seu mercado interno.
O setor brasileiro de carne bovina manifesta inquietação com a falta de regras claras. O Sindifrigo-Mato Grosso, em comunicado, afirmou: "As autoridades chinesas deixaram claro que o volume será calculado com base nas entradas efetivas no país a partir de 1º de janeiro de 2026, independentemente de contratos previamente assinados, cargas em trânsito ou produtos já embarcados".
Caso essa interpretação se confirme sem alterações, o Brasil precisará subtrair cerca de 350 mil toneladas de sua cota para 2026, volume estimado de cargas nos portos chineses, em navios ou estocadas no Brasil. A cota para o Brasil em 2026 é de 1,106 milhão de toneladas, com aumentos para 1,128 milhão em 2027 e 1,151 milhão em 2028.
Em 2025, 53% das exportações brasileiras de carne bovina foram para a China, gerando US$ 8,8 bilhões em receita. O Ministério da Agricultura não comentou imediatamente as preocupações do setor.