No início dos 1800, um esforço unificado do governo dinamarquês, comunidade médica, igreja e educadores levou à eliminação rápida da varíola em Copenhague. A campanha alcançou taxas de vacinação de 90 por cento entre crianças até 1810, tornando a Dinamarca a nação europeia mais vacinada per capita na época. Esse sucesso oferece lições para construir confiança em campanhas de vacinação modernas.
A varíola, uma doença que matava três em cada 10 infectados e deixava cicatrizes ou cegava muitos sobreviventes, havia ceifado mais de 12.000 vidas em Copenhague no meio século antes de 1808. A vacina, inventada pelo médico inglês Edward Jenner em 1796, chegou rapidamente à Dinamarca, empolgando a elite médica. Henrich Callisen, um proeminente médico dinamarquês, observou a 'atenção excitada e expectativa' que gerou. As primeiras vacinações ocorreram logo depois: o filho de um juiz dinamarquês, seguido pelo filho de um bispo. Relatórios destacaram sua eficácia; indivíduos vacinados podiam compartilhar camas, roupas ou até amamentar de mães infectadas sem contrair a doença, segundo Callisen. Em 1801, o Rei da Dinamarca estabeleceu uma comissão de vacinas para distribuir a vacina amplamente e rastrear taxas e casos. Andreas Eilersen, da Universidade de Roskilde, e colegas analisaram esses registros, descobrindo que até 1810, 90 por cento das crianças de Copenhague estavam vacinadas. Isso levou ao desaparecimento da varíola da cidade apenas sete anos após o início da campanha. Callisen escreveu em 1809: '[Nós] seremos libertos de uma das doenças mais terríveis e destrutivas que conhecemos.' Essencial para o sucesso foi o acesso gratuito aos pobres, além da promoção por líderes da igreja e professores junto aos médicos. Um padre vacinou 1.981 crianças em um único ano. Para sustentar as taxas à medida que a doença diminuía, a comissão em 1810 exigiu vacinação para a confirmação eclesial das crianças, combatendo temores de complacência. Alguns resistiram devido a 'ignorância e preconceito', mas a maioria a adotou. Callisen, inicialmente cauteloso, convenceu-se de seus benefícios para 'o bem-estar e felicidade humana, e o aumento da população e força nacional.' Eilersen atribui a alta adesão a uma frente unida: 'Basicamente, tínhamos um grupo de diferentes autoridades – o governo, o establishment médico e a igreja – que todas concordavam no que fazer.' Essa colaboração convenceu a população mais ampla. A alta confiança institucional da Dinamarca persiste hoje, classificando-se em primeiro lugar globalmente pela Transparency International, correlacionando-se com 96 por cento de taxas de vacinação infantil para difteria, tétano e coqueluche—muito acima dos 80 por cento dos EUA. O estudo aparece no medRxiv (DOI: 10.64898/2026.01.05.26343436).