GOG, o varejista digital de jogos sem DRM pertencente à CD Projekt, introduziu suporte nativo ao Linux para seu cliente GOG Galaxy. Essa medida atende a pedidos de longa data de jogadores de Linux e se alinha com a crescente popularidade dos jogos baseados em Linux, especialmente impulsionada pelo Steam Deck da Valve. A mudança pode aumentar o apelo da GOG em um mercado competitivo dominado por plataformas como o Steam.
Por anos, usuários de Linux no mundo dos jogos para PC dependeram de camadas de compatibilidade e soluções alternativas para acessar jogos das principais lojas. O anúncio da GOG esta semana marca uma mudança significativa, fornecendo suporte nativo para sua plataforma e o cliente GOG Galaxy, que gerencia bibliotecas e lança jogos. A decisão vem após uma década de pedidos da comunidade, conforme relatado pelo The Verge. Anteriormente, embora a GOG vendesse títulos compatíveis com Linux, o cliente Galaxy não estava disponível nativamente no Linux. Os usuários precisavam executar a versão do Windows por meio de ferramentas como Wine ou Lutris, ou baixar jogos manualmente pela interface web, perdendo recursos como atualizações automáticas e salvamentos em nuvem. Essa virada coincide com a adoção crescente do Linux no gaming, impulsionada pelo Steam Deck da Valve, lançado em fevereiro de 2022. O dispositivo portátil, que vendeu milhões de unidades, roda SteamOS, uma distribuição Linux baseada em Arch Linux. A camada de compatibilidade Proton da Valve permitiu que milhares de jogos do Windows rodem suavemente no Linux, conforme rastreado pelo banco de dados comunitário ProtonDB. Pesquisas de hardware do Steam indicam que a participação de mercado do Linux entre usuários é de cerca de 2%, equivalente a milhões de jogadores ativos. Para a GOG, de propriedade da CD Projekt — o estúdio por trás da série The Witcher e Cyberpunk 2077 —, isso representa uma oportunidade estratégica. O varejista enfrentou desafios para competir com gigantes como Steam e Epic Games Store, que não possui suporte nativo ao Linux. Ao oferecer uma experiência fluida, incluindo rastreamento de conquistas e integração com amigos, a GOG visa atrair a base de usuários engajada do Linux, que valoriza sua filosofia sem DRM. No entanto, a implementação apresenta desafios. A GOG deve garantir estabilidade em diversas distribuições Linux como Ubuntu e Fedora, e decidir sobre formatos de empacotamento como Flatpak ou AppImage. Pode também precisar integrar uma camada semelhante ao Proton para títulos apenas do Windows, para atender às expectativas dos usuários definidas pelas inovações da Valve, que começaram com o Steam para Linux em 2013. No geral, esse passo valida a maturação do gaming no Linux e pode fortalecer a posição da GOG como alternativa ao Steam para entusiastas de open source.