O governo colombiano retirou o financiamento estatal do programa Crédito Beca do Colfuturo, que apoiou estudos de pós-graduação no exterior por mais de 20 anos, para redirecionar recursos a um novo modelo de bolsas de doutorado voltado para populações vulneráveis. A ministra da Ciência, Yesenia Olaya, defendeu a medida, afirmando que o Colfuturo não atendeu aos critérios de democratização do acesso educacional. A decisão atraiu críticas por restringir oportunidades em meio a mudanças tecnológicas globais.
O governo do presidente Gustavo Petro enfrenta reações negativas por encerrar o apoio estatal ao programa Crédito Beca do Colfuturo, que por mais de 20 anos financiou estudos de pós-graduação no exterior para milhares de colombianos. A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Yesenia Olaya, defendeu a decisão em 29 de dezembro de 2025, afirmando que os fundos apoiarão um novo programa de mestrados e doutorados priorizando estudantes de baixa renda e regiões marginalizadas.
Olaya observou que o Colfuturo, uma entidade privada, auxiliou em média 90 doutorandos por ano, mas exigia dívida, juros e codeudores com altos ativos, filtrando o acesso por origem social. «Mais de 70% dos beneficiários vinham de estratos quatro, cinco e seis, com menos de 1% de grupos étnicos», disse a ministra. Em contraste, o novo modelo do MinCiencias oferece bolsas sem dívida com financiamento completo por quatro anos e uma abordagem regional e de gênero, na qual 96% dos destinatários são de estratos um, dois e três.
O governo cumpriu o Conpes 3862, investindo mais de US$ 600 bilhões, incluindo US$ 64 bilhões este ano. No entanto, dos 941 créditos aprovados para a coorte de 2025, apenas 195 foram finalizados até junho, deixando fundos não alocados. O Colfuturo detém cerca de US$ 18 milhões em reembolsos e rendimentos, que o governo pretende redirecionar para políticas públicas.
Críticos como o analista Ugo Posada chamaram a medida de «dinamitar uma ponte» para oportunidades globais, particularmente em uma era impulsionada pela IA que exige educação avançada. Posada enfatizou a ajuda do Colfuturo a mais de 25.000 colombianos em 30 anos, instando à proteção do programa para nutrir talentos nacionais. Olaya rebateu: «Não estamos improvisando nem destruindo a formação de alto nível; estamos transformando um modelo para maior impacto social».
O novo investimento de US$ 600 bilhões, via Conpes em janeiro de 2026, visa democratizar o acesso à educação, embora os debates continuem sobre equilibrar inclusão com excelência internacional.