Um comercial da Havaianas estrelado por Fernanda Torres gerou reações polarizadas nas redes sociais, com a direita chamando boicote e a esquerda defendendo a marca. Apesar das críticas, o perfil da Havaianas ganhou 150 mil seguidores em 48 horas. A campanha, que brinca com a expressão 'pé direito', reviveu um anúncio similar de 2014 com Romário.
O novo comercial da Havaianas, lançado com Fernanda Torres, 60, pede que as pessoas não comecem 2026 'com o pé direito', mas 'com os dois pés'. A frase, interpretada por apoiadores da direita como provocação política, levou a chamadas de boicote desde o domingo, 21 de dezembro de 2025. Eduardo Bolsonaro, recém-cassado pela Câmara, criticou a marca em postagem no domingo, jogando um par de sandálias no lixo e dizendo: 'Eu vou começar o ano com o pé direito sim – e não será de havaianas'. O deputado Rodrigo Valadares (União-SE) acusou a propaganda de fazer 'campanha política explícita contra a direita' e sugeriu alternativas como Rider, Ipanema e Crocs.
Em resposta, figuras da esquerda ironizaram as críticas. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), contou que comprou Havaianas para si e a família, brincando: 'a sacola das Havaianas é vermelha'. A deputada Erika Hilton (PSol-SP) provocou sobre a tornozeleira eletrônica de Jair Bolsonaro: 'Como assim os bolsonaristas tão cancelando até as Havaianas? Será que não serve direito nos cascos deles?'. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), alfinetou a marca em vídeo sobre a inauguração do Rodoanel Norte em 22 de dezembro, afirmando: 'Aqui em São Paulo, a gente vai começar o ano novo com o pé direito'.
Apesar do boicote, a Havaianas saltou para 4,2 milhões de seguidores no Instagram em 48 horas, ganhando 150 mil novos. A concorrente Ipanema dobrou os seus, de 510 mil para 1 milhão, com 490 mil acréscimos. A polêmica gerou 4 milhões de postagens no X (antigo Twitter). Internautas resgataram um comercial de 2014 com Romário, então sem polêmica política apesar do contexto eleitoral – ele usava só o pé direito e 'enviou' o esquerdo para Diego Maradona. Romário, hoje senador pelo PL, não comentou a atual controvérsia.