Dois dias após vetar projeto que reduzia penas de golpistas do 8 de janeiro, o presidente Lula divulgou um vídeo pregando a união entre correntes políticas opostas. Gravado durante férias na Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, o material foi compartilhado pela primeira-dama Janja e usa uma metáfora das ondas do mar para combater preconceitos ideológicos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apareceu em um vídeo divulgado pela primeira-dama Janja da Silva neste sábado (10 de janeiro de 2026), dois dias após vetar integralmente o projeto de lei que propunha a dosimetria para reduzir penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As imagens foram gravadas durante as férias do casal na Restinga da Marambaia, uma área de preservação ambiental na base militar da Marinha, localizada entre Mangaratiba, Itaguaí e Rio de Janeiro. Lula e Janja passaram o Réveillon no local, chegando em 26 de dezembro de 2025 e permanecendo por cerca de dez dias. No vídeo, Lula surge de sunga e com boné da Presidência da República, caminhando pela praia com cenas capturadas por drone.
Usando a paisagem como metáfora, Lula comparou as ondas que se cruzam em direções opostas às correntes políticas. "O que é extraordinário aqui é que vocês vão perceber que tem onda que vem de lá pra cá, e tem onda que vem dali para cá. Essa é uma demonstração extraordinária, até para acabar com o preconceito entre esquerda e direita", disse o presidente. Ele acrescentou: "Aqui, a onda que vem da direita se junta com a que vem da esquerda e constrói o mar". Lula destacou que a natureza realiza "aquilo que a gente imagina que não seja possível de ser feito", inspirando a conciliação partidária.
A iniciativa parece mirar votos da direita, ecoando a estratégia de 'frente ampla' usada na eleição de 2022, quando Lula venceu Bolsonaro ao atrair o centro. Janja comentou na postagem que o casal recarregou energias e retorna com "disposição, diálogo e Brasil no coração".
O vídeo busca promover o diálogo em um contexto de polarização, especialmente após o veto recente, que manteve penas integrais para os envolvidos nos atos antidemocráticos.