Raksha Sanika lançou a House of Santal, uma galeria de 8.000 pés quadrados no Midtown Manhattan dedicada ao design colecionável contemporâneo da Ásia do Sul. Inaugurada em fevereiro de 2026, ela apresenta 13 designers indianos em sua exposição inaugural, combinando técnicas artesanais antigas com formas modernas. A galeria pretende elevar artesãos regionais ao palco internacional em meio a mudanças nas percepções sobre a criatividade sul-asiática.
Raksha Sanika, formada em finanças e com família no setor de construção da Índia, fundou a House of Santal após um projeto em 2018 que envolveu extensas viagens pela Índia. Visitando estúdios e eventos como a India Art Fair, ela reconheceu a sofisticação do design indiano contemporâneo. «O que me impressionou foi o nível de capacidade de manufatura e a forma como o ofício estava sendo incorporado ao design», explica Sanika. «Historicamente, o ofício surgia frequentemente como pequenos elementos de superfície ou detalhes decorativos. O que está emergindo agora é algo diferente: objetos com qualidade controlada, belamente produzidos, cuidadosamente desenhados, impulsionados pelo ofício em sua essência. E foi quando senti que o mundo realmente precisava ver isso.» nnA galeria, nomeada a partir do santalum ou sândalo — um material sagrado na Ásia do Sul —, foca principalmente na Índia, mas planeja incluir designers do Paquistão, Sri Lanka e Nepal. Sua exposição de estreia, intitulada «At the Threshold of the Courtyard», apresenta vinhetas que destacam 13 designers e estúdios indianos. Estas exploram materiais como marchetaria intricada e têxteis tecidos à mão, enraizados em tradições seculares. nnPeças notáveis incluem a Rock Dining Table da Sage Living, esculpida em pirita frágil usando técnicas de incrustação de pedra reminiscentes dos pisos do Taj Mahal. «É incrivelmente intensivo em mão de obra», nota Sanika, descrevendo como os artesãos montam fragmentos minúsculos em superfícies impecáveis. A Beyond Dreams apresenta assentos de madeira inspirados em mudras, os gestos simbólicos das mãos do ioga e práticas espirituais indianas, enfatizando ergonomia e simbolismo cultural. nnOutro destaque é o Beevi Pai Swing da Design ni Dukaan, fundada pelo arquiteto Veeram Shah. Os tapetes tecidos são feitos por mulheres da comunidade Maja, de Gujarat, num processo que envolve colaboração próxima. Sanika elogia a abordagem de Shah: «Mesmo na sua precificação, não se trata de maximizar os seus ganhos. Ele pensa sempre em como pode apoiar os mestres artesãos com quem trabalha.» nnOs preços posicionam as obras no mercado premium de colecionáveis, com cadeiras entre 4.000 e 11.000 dólares e mesas de chá entre 12.000 e 18.000 dólares. Apesar de desafios logísticos, incluindo elevadas tarifas — inicialmente no pico, antes de caírem para 18 % —, a galeria abriu com sucesso. A reação dos visitantes tem sido «avassaladora», com muitos surpreendidos pelo acabamento e pela profundidade conceptual das peças, que combinam linhas orgânicas, ligações à natureza e filosofia cultural. nnSanika obteve um mestrado em design de interiores para aprofundar a sua experiência, o que lhe permite selecionar peças que ligam herança e inovação. A galeria funciona como uma plataforma para os artesãos, promovendo modelos sustentáveis que valorizam o trabalho e a tradição em detrimento da produção em massa.