A guerra entre os EUA/Israel e o Irã fechou o Estreito de Ormuz, desencadeando uma grave escassez de gás liquefeito de petróleo (GLP) que afeta o preparo de alimentos para milhões de pessoas na Ásia e na África. Na Índia, famílias como a do motorista Subhash Kapoor estão recorrendo ao mercado paralelo em meio à disparada dos preços. Restaurantes e instituições estão alterando cardápios ou fechando as portas à medida que os estoques diminuem.
Subhash Kapoor, um motorista em Noida, perto de Nova Délhi, não teve dificuldades para obter botijões de GLP até o início de março. Ele costuma pagar 900 rúpias (US$ 10) por um botijão que dura cerca de 40 dias para sua família de cinco pessoas. Mas, à medida que a guerra escalou e o Irã fechou o Estreito de Ormuz — uma rota vital para as importações de GLP — a escassez atingiu duramente a Índia. Kapoor recebeu uma mensagem de texto alegando que ele havia retirado sua cota de março, o que não ocorreu, forçando-o a comprar no mercado paralelo por 3.600 rúpias (US$ 39) há três semanas. Ele disse ao Grist: “Eu não tive problemas para conseguir um botijão em janeiro. Achei que os botijões estavam facilmente disponíveis. Sempre que eu ligava, eles enviavam para casa”. A Índia depende de importações para 60% de seu GLP, sendo 90% provenientes do Oriente Médio, o que a torna a segunda maior importadora do mundo. Os preços no mercado paralelo em Délhi subiram 600%, com pessoas enfrentando filas por dias. Restaurantes removeram pratos que exigem muito gás, como frango amanteigado e dosa, enquanto vendedores de rua em Mumbai escondem botijões ou fecham os negócios. Hospitais, escolas e cozinhas corporativas relatam déficits, e alguns estudantes universitários agora cozinham nos dormitórios. Fogões de indução, que custam de US$ 20 a US$ 30, estão esgotando para aqueles que possuem eletricidade, mas os pobres das áreas rurais recorrem à madeira e ao carvão, observou o economista Dawit Guta, da University of Northern British Columbia: “As áreas rurais não têm outra opção. Este é o maior desafio que o setor está enfrentando”. Chelsea Marcho, do Food Security Leadership Council, alertou sobre os riscos à saúde decorrentes da poluição interna e da mudança da dieta para alimentos de preparo rápido, podendo levar à omissão de refeições. A crise estende-se aos fabricantes e está ligada ao aumento dos custos de fertilizantes e de transporte. Especialistas como Chris Barrett, da Cornell, preveem problemas semelhantes na Tailândia, Paquistão e em nações africanas como Senegal e Zimbábue, com os preços globais dos alimentos em alta em março, segundo a FAO da ONU. O presidente Donald Trump disse em um discurso na quarta-feira que as conversas com o Irã continuam, mas prometeu ataques intensos: “Nós vamos atingi-los com extrema força nas próximas duas a três semanas. Vamos levá-los de volta à Idade da Pedra, onde eles pertencem”. O Irã nega discussões diretas.