A equipe jurídica do líder venezuelano Nicolás Maduro apresentou uma moção para arquivar sua acusação de narco-terrorismo, argumentando que a interferência da administração Trump comprometeu o devido processo legal. O advogado Barry Pollack afirma que as ações do governo dos EUA tornam qualquer veredicto constitucionalmente suspeito. Pollack solicitou permissão para se retirar se o caso prosseguir.
Na quinta-feira, 27 de fevereiro de 2026, Barry Pollack, um advogado de defesa veterano conhecido por representar o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, enviou uma carta ao juiz distrital sênior dos EUA, Alvin Hellerstein, solicitando o arquivamento das acusações de narco-terrorismo contra Nicolás Maduro. Pollack argumenta que as ações da administração Trump já contaminaram os procedimentos. A moção centra-se no financiamento para a defesa de Maduro. A lei venezuelana exige que o governo cubra os custos legais, e o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA inicialmente emitiu uma licença permitindo que os advogados escolhidos por Maduro recebessem esses fundos. No entanto, o OFAC alterou posteriormente a licença para proibir tais pagamentos sem explicação. Pollack afirma que Maduro não possui fundos pessoais para contratar advogados, deixando-o incapaz de arcar com a representação. «O governo dos Estados Unidos, por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro, inicialmente concedeu uma licença ao advogado de escolha do Sr. Maduro para aceitar fundos do governo da Venezuela para representar o Sr. Maduro. Unilateralmente e sem explicação, no entanto, o OFAC subsequentemente alterou a licença de modo que agora proíbe o recebimento de custos de defesa do governo da Venezuela», explica a carta. Pollack descreve isso como uma interferência «particularmente injustificável» nos direitos do devido processo. Ele alerta que, se o bloqueio persistir, ele não pode continuar no caso, nem qualquer outro advogado contratado poderia. Isso forçaria o tribunal a nomear um advogado às custas dos contribuintes americanos, apesar da obrigação da Venezuela de pagar. «Se a interferência do OFAC na capacidade do Sr. Maduro de financiar sua defesa persistir, o advogado subscrito não pode permanecer no caso, nem o Sr. Maduro pode ser representado por qualquer outro advogado contratado», afirma o documento. «Não só o Tribunal precisaria nomear um advogado e impor o custo da defesa do Sr. Maduro aos contribuintes dos Estados Unidos... mas também qualquer veredicto contra o Sr. Maduro seria constitucionalmente suspeito.» Pollack ainda argumenta que um julgamento nessas condições seria «constitucionalmente defeituoso e não pode resultar em um veredicto que resista a desafios posteriores». O caso segue a prisão de Maduro em 5 de janeiro de 2026, após uma operação dos EUA na Venezuela, onde ele e sua esposa, Cilia Flores, foram vistos algemados chegando a uma plataforma de helicóptero em Manhattan. Anteriormente, surgiu uma breve disputa quando o advogado Bruce Fein também buscou representar Maduro, alegando informações do círculo íntimo de Maduro que indicavam desejo por sua assistência. Fein retirou-se posteriormente, citando um mal-entendido. «O advogado buscou admissão e apresentou-se de boa-fé com base em informações recebidas de indivíduos credivelmente posicionados no círculo íntimo ou familiar do Presidente Maduro, indicando que o Presidente Maduro expressou desejo pela assistência do advogado neste assunto», explicou Fein.