Marco Lavagna renunciou à direção do INDEC após desacordos com o governo sobre a implementação do novo Índice de Preços ao Consumidor para janeiro. O ministro Luis Caputo confirmou que a mudança metodológica será adiada até a consolidação da desinflação, nomeando Pedro Lines como novo chefe. A inflação de janeiro é estimada em 2,5%, segundo projeções oficiais.
Marco Lavagna, diretor do INDEC, apresentou sua renúncia na segunda-feira, conforme confirmado por fontes oficiais. O principal motivo provém de desacordos com o governo sobre a publicação dos dados de inflação de janeiro usando a nova metodologia do Índice de Preços ao Consumidor, anunciada em outubro de 2025. Essa atualização, baseada na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2017/2018, dá mais peso a serviços, habitação e transportes, em detrimento do consumo de bens. Lavagna reuniu-se com delegados sindicais e explicou que o Executivo rejeitou implementar a mudança agora, preferindo aguardar até que a desinflação se consolide. “Marco estava trabalhando na nova metodologia e tinha agendado para agora. Com o Presidente, sempre pensamos que deveria ser mudado uma vez que a desinflação estivesse consolidada”, declarou Caputo na Rádio Rivadavia. O ministro estimou a inflação de janeiro em torno de 2,5%, afirmando que “não há necessidade de mudar o índice agora”. Pedro Lines, graduado em Economia com mestrado na CEMA e experiência no Catar, assumirá o cargo. Ele entrou no INDEC em 1996 e retornou em 2016 no governo Macri. Fontes do INDEC indicaram que o novo IPC não varia substancialmente do atual, mas o governo prioriza a estabilidade. Essa renúncia faz ecoar a intervenção de Guillermo Moreno em 2007, que manipulou dados por anos, minando a credibilidade estatística. Os dados oficiais de inflação de janeiro serão divulgados em 10 de fevereiro, baseados na metodologia atual. Consultorias privadas projetam entre 2% e 2,6%, com Alimentos e bebidas como a principal categoria em alta.