A Netflix alterou sua aquisição de US$ 72 bilhões da Warner Bros. Discovery para uma oferta totalmente em dinheiro, visando garantir a aprovação dos acionistas em meio a uma tentativa de aquisição hostil rival pela Paramount. A mudança simplifica o acordo e elimina incertezas relacionadas a ações, com uma votação de acionistas prevista para abril de 2026. A Warner Bros. planeja separar seus ativos de TV a cabo antes.
A Netflix e a Warner Bros. Discovery anunciaram em 20 de janeiro de 2026 uma revisão do seu acordo de fusão, convertendo a mistura original de dinheiro e ações em um pagamento total em dinheiro de US$ 27,75 por ação. Esse ajuste mantém o valor de patrimônio de US$ 72 bilhões e o valor empresarial de US$ 82,7 bilhões do acordo, abrangendo ativos como HBO Max e WB Studios. A medida responde à pressão da oferta agressiva da Paramount, que busca adquirir toda a empresa por US$ 108,4 bilhões a US$ 30 por ação. Os termos originais ofereciam aos acionistas da Warner US$ 23,25 em dinheiro mais US$ 4,50 em ações da Netflix por ação, mas incluíam um mecanismo de colarinho para ajustar flutuações no preço das ações da Netflix. Com as ações da Netflix caindo de US$ 100,24 no início de dezembro para cerca de US$ 88, a estrutura totalmente em dinheiro elimina essa variabilidade. A Netflix financiará a compra usando reservas de caixa existentes, instalações de crédito e novo financiamento, aproveitando sua forte posição: capitalização de mercado de US$ 400 bilhões, classificação de crédito A/A3 e fluxo de caixa livre projetado de US$ 12 bilhões para 2026. O presidente do conselho da Warner Bros., Samuel Di Piazza Jr., declarou: “Ao passar para uma contraprestação totalmente em dinheiro, agora podemos entregar o incrível valor de nossa combinação com a Netflix com níveis ainda maiores de certeza, ao mesmo tempo em que proporcionamos aos nossos acionistas a oportunidade de participar dos planos estratégicos da gestão para realizar o valor das marcas icônicas da Discovery Global e seu alcance global.” O conselho pretende concluir a separação de sua divisão de TV a cabo na Discovery Global antes do fechamento do acordo com a Netflix, um passo incompatível com a aquisição total da empresa pela Paramount. A Paramount, uma entidade menor com capitalização de mercado de US$ 14 bilhões, classificação de crédito junk e fluxo de caixa livre negativo, perseguiu uma abordagem hostil, incluindo um processo judicial aberto na semana passada no Tribunal de Chancelaria de Delaware. A ação alega que a Warner Bros. reteve divulgações chave, como avaliações de separação —estimadas pela Paramount em US$ 0 por ação— para auxiliar decisões dos acionistas. O CEO da Paramount, David Ellison, argumentou: “Os acionistas da WBD precisam dessa informação para tomar uma decisão de investimento informada sobre nossa oferta —e, importante, a lei de Delaware tem consistentemente exigido que tal informação seja fornecida aos acionistas.” A Warner Bros. descartou a oferta como “ilusória” devido à sua pesada dependência de dívida e rejeitou o processo como infundado. Um juiz negou na semana passada o pedido da Paramount para acelerar o caso, citando ausência de dano irreparável. Essa escalada destaca tensões na consolidação de mídia, com a Netflix se posicionando como o parceiro mais confiável para preservar as opções estratégicas da Warner.