Quinze pacientes no Vanderbilt University Medical Center em Nashville, Tennessee, solicitaram transfusões de sangue de doadores não vacinados contra a covid-19, levando a atrasos perigosos no atendimento. Um paciente sofreu uma queda potencialmente fatal nos níveis de hemoglobina. Pesquisadores alertam que tais pedidos decorrem de desinformação, apesar da segurança do suprimento de sangue regulamentado.
Jeremy Jacobs, do Vanderbilt University Medical Center, relatou que entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025, 15 pacientes ou seus cuidadores buscaram doações direcionadas — sangue de indivíduos específicos, como parentes — exclusivamente de pessoas não vacinadas contra a covid-19. O status de vacinação dos doadores não é registrado ou compartilhado pelos bancos de sangue, o que motivou esses pedidos incomuns impulsionados por preocupações com a segurança da vacina, que Jacobs descreveu como desinformação em vez de preocupações baseadas em evidências. As doações direcionadas são permitidas de forma mais ampla nos EUA do que em lugares como o Reino Unido ou a Austrália, embora sejam desencorajadas devido à complexidade adicional na coordenação, processamento e maiores riscos de infecção em comparação com o suprimento padrão rastreado de doadores recorrentes. Essas demandas atrasaram tratamentos, com a hemoglobina de um paciente atingindo níveis críticos que colocaram em risco a falência de órgãos, e outro desenvolvendo anemia. Jacobs observou que as doações direcionadas aumentaram anteriormente durante a crise de HIV/AIDS e ressurgiram com as vacinas de mRNA contra a covid-19, apesar de estudos repetidos afirmarem a segurança da vacina e uma confirmação em 2025 de que o sangue de doadores vacinados não apresenta risco adicional. Ash Toye, da Universidade de Bristol, enfatizou que tais pedidos refletem a incerteza pública sobre a vacina, não riscos transfusionais. Preocupações semelhantes surgiram em outros lugares, incluindo consultas ao Welsh Blood Service e uma petição rejeitada no Reino Unido para segregar o sangue pelo status de vacinação, enquanto legisladores de Oklahoma propuseram tornar obrigatório o acesso a sangue de não vacinados. Jacobs ressaltou a necessidade de abordar os medos dos pacientes de forma respeitosa em meio aos encargos operacionais criados pela desinformação.