O Escritório do Procurador-Geral da Colômbia anunciou mandados de prisão contra alias 'Iván Mordisco' e outros líderes dissidentes das FARC por genocídio contra o povo indígena Nasa no Cauca. São-lhes atribuídos 32 atos criminosos afetando 43 vítimas desde 2022. A investigação revela um padrão sistemático visando a tomada de terras indígenas.
O Gabinete do Procurador-Geral da Colômbia, após uma investigação territorial aprofundada, solicitou e obteve mandados de prisão contra alias 'Iván Mordisco' e outros líderes dissidentes das FARC. Essas figuras enfrentam acusações de genocídio contra o povo indígena Nasa no departamento de Cauca, particularmente nos municípios de Caldono, Santander de Quilichao, Caloto, Corinto, Toribío, Miranda, Páez e Jambaló.
De acordo com a Procuradora-Geral Luz Adriana Camargo, os acusados promoveram uma extermínio sistemático da população indígena para se apossar de suas terras e impedir resistência às suas atividades criminosas no norte e leste do Cauca. A investigação, apoiada por uma equipe interdisciplinar incluindo analistas criminais e de vítimas, antropólogos e outros especialistas, envolveu trocas com a comunidade para entender sua organização, costumes e visão de mundo.
Elementos probatórios identificam pelo menos 32 atos criminosos, como homicídios, tentativas de homicídio e deslocamentos forçados, afetando 43 vítimas desde 2022. Entre os impactados estão 16 membros da comunidade, 14 líderes e autoridades indígenas, oito signatários dos acordos de paz e cinco detentores de saberes ancestrais. Esses incidentes foram realizados pela Frente Dagoberto Ramos do autoproclamado Estado Maior Central das dissidências das FARC.
O esforço foi coordenado com o Gabinete do Procurador-Geral Adjunto, a Diretoria Seccional do Cauca e unidades especializadas contra violações de direitos humanos e organizações criminosas, culminando em uma apresentação a um juiz penal para controle de garantias.