Os preços da soja subiram mais que os do milho em meio à guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã, apesar de estoques mundiais maiores da oleaginosa. Analista da AgRural explica que a produção de soja é mais concentrada e difícil de substituir. Produtores brasileiros, no entanto, viram ganhos anulados por custos logísticos.
Daniele Siqueira, analista da AgRural, destacou que os preços da soja reagem mais intensamente a tensões geopolíticas do que os do milho. No contexto da guerra envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, a soja saltou de US$ 10,6425 por bushel no fim de janeiro para US$ 11,7075 antes do conflito e US$ 11,7375 nesta quinta-feira (27). Já o milho, de US$ 4,2825, atingiu US$ 4,76 em 9 de março, mas recuou para US$ 4,67 na quinta-feira (26), apesar de estoques mundiais menores, em 23% do consumo — o patamar mais baixo desde 2012/13. Estoques de soja estão em 125,3 milhões de toneladas, contra 93,5 milhões em 2022, com relação estoque/consumo de 30% nesta safra 2025/26, superior aos 26% de 2021/22. Siqueira explica: “a produção e a demanda da soja são mais concentradas, e a substituição mais difícil”. O milho, com produção pulverizada, pode ser trocado por sorgo ou trigo. No Brasil, em Cascavel (PR), a saca de soja subiu de R$ 116,50 para R$ 119, e o preço para a China, de US$ 461,50 para US$ 477,5 por tonelada. Contudo, custos logísticos internos neutralizaram os ganhos para produtores. Diferente da guerra Rússia-Ucrânia, que afetou oferta diretamente, o conflito atual eleva custos de produção e frete, podendo reduzir áreas plantadas e uso de insumos, com impactos futuros. “A situação atual é mais delicada não pelo que aconteceu até agora, mas pelo que poderá ocorrer lá na frente”, afirma Siqueira.