Um novo relatório da Chainstory indica que mais de 60% dos comunicados de imprensa de criptomoedas provêm de projetos de alto risco ou fraudulentos. O estudo destaca como serviços de distribuição permitem que conteúdo enganoso apareça ao lado de notícias legítimas, potencialmente enganando os leitores. Apenas 2% desses comunicados contêm informações substanciais como rodadas de financiamento ou aquisições.
A análise da Chainstory, publicada em 27 de janeiro de 2026, examinou 2.893 comunicados de imprensa crypto distribuídos entre junho e novembro de 2025. Os pesquisadores identificaram que mais de 60% originavam-se de projetos com bandeiras vermelhas clássicas, incluindo equipes anônimas, promessas irreais, sites duplicados e táticas de pressão sobre investidores. Alguns foram confirmados como golpes por meio de listas negras e alertas. Os fios de imprensa específicos de crypto diferem dos tradicionais ao oferecer colocações garantidas em numerosos sites com supervisão mínima. Isso permite que anúncios não verificados se misturem com jornalismo genuíno, muitas vezes sem divulgação. «Se você encontrar um comunicado de imprensa crypto em um site de notícias, as chances são melhores que 50/50 de que o projeto por trás seja de baixa credibilidade (ou pior)», afirma o relatório. A maioria dos comunicados consistia em promoções autoescritas para atualizações triviais, lançamentos de tokens ou listagens em exchanges. Em contraste, apenas 2% cobriam desenvolvimentos significativos que mereceriam atenção editorial. O CoinDesk contatou vários serviços de imprensa, mas não recebeu respostas até o momento da publicação. No cerne dessa questão está o modelo pago entre distribuidores e sites: os serviços disseminam conteúdo por taxas, enquanto os sites o hospedam sem revisão jornalística. Essa configuração confere legitimidade indevida a empreendimentos duvidosos. Até exchanges estabelecidas usam esses canais para anúncios rotineiros, sem implicar irregularidades. «O mecanismo central da indústria de comunicados de imprensa crypto é o carona», explica o estudo. «Ao canalizar conteúdo através de redes de sindicação, os emissores evitam o filtro de ‘noticiabilidade’ de uma redação e dependem da credibilidade da plataforma de distribuição.» Um incidente de dezembro de 2025 ilustrou os riscos: golpistas imitaram a Circle Internet Financial (CRCL), emissora do stablecoin USDC, para promover um esquema falso de metais tokenizados ligado a um site de carteira malicioso. O CoinDesk desmascarou-o após se espalhar por plataformas de notícias. O relatório urge rotulagem mais clara e padrões para proteger o cenário midiático crypto.