Uma nova pesquisa indica que um conflito nuclear limitado entre Índia e Paquistão poderia prejudicar a camada de ozônio tão severamente quanto uma guerra maior entre os Estados Unidos e a Rússia.
Modelos climáticos apresentados no mês passado na Assembleia Geral da União de Geociências Europeia, em Viena, examinaram os efeitos de fuligem e outros poluentes de guerras nucleares hipotéticas. Os pesquisadores modelaram uma troca de ataques entre Índia e Paquistão liberando 5 milhões de toneladas de fuligem e a compararam a um cenário entre EUA e Rússia liberando 16 milhões de toneladas. Zhihong Zhuo, da Universidade do Quebec em Montreal, afirmou que até mesmo uma guerra nuclear de pequena escala pode produzir efeitos colaterais globais de longo alcance para além das regiões de conflito. O estudo descobriu que a circulação do ar tropical levaria os poluentes a altitudes maiores e os espalharia de forma mais ampla, levando a um dano maior à camada de ozônio, apesar dos volumes menores de fuligem. A perda de ozônio seria mais pronunciada sobre os polos, com a radiação ultravioleta podendo aumentar em até 30% nas regiões tropicais. Isso agravaria o resfriamento decorrente de um inverno nuclear e retardaria a recuperação ao prejudicar as plantas e reduzir a produção agrícola em todo o mundo. As descobertas se baseiam em estimativas anteriores de que um bilhão de pessoas poderiam enfrentar a fome apenas pelos efeitos do inverno nuclear.