Os leitores do Daily Maverick votaram em Women for Change como o Movimento do Ano pelo seu papel no G20 Women’s Shutdown, que destacou as altas taxas de violência baseada no gênero e feminicídio na África do Sul. O protesto de 21 de novembro resultou em mais de um milhão de assinaturas em petição e na declaração de desastre nacional pelo presidente Cyril Ramaphosa. Fundado por Sabrina Walter, o grupo evoluiu de um clube de corrida para uma voz global pelas sobreviventes.
Women for Change, uma iniciativa de base, foi reconhecida como Movimento do Ano nos prêmios People of the Year 2025 do Daily Maverick. O grupo organizou o G20 Women’s Shutdown em 21 de novembro, incentivando as mulheres a faltarem ao trabalho, mudarem os perfis de redes sociais para roxo, vestirem preto e participarem de deitadas de 15 minutos em homenagem às vítimas. A ação atraiu ampla atenção, culminando em uma petição com mais de um milhão de assinaturas pedindo que a violência baseada no gênero fosse declarada desastre nacional. No dia do protesto, o presidente Cyril Ramaphosa atendeu à demanda.
Surgido em 2014 como o clube de corrida Catch Me If You Can em Cidade do Cabo, a rede cresceu para incluir mais de 25 mil mulheres em todo o país. Cofundadora Sabrina Walter, que se mudou da Alemanha para a África do Sul em 2010, mudou o foco após o estupro e assassinato em 2016 da adolescente Franziska Blöchliger, de 16 anos, na Floresta Tokai. Uma corrida memorial atraiu 4 mil participantes, incluindo mulheres, homens, crianças, cavalos e cães. 'Uma semana após o assassinato de Franziska, 4 mil mulheres, homens, crianças, cavalos e cães apareceram e marcharam em memória dela e de todas as outras mulheres', relatou Walter.
A pandemia de Covid-19 em 2020 levou a uma virada para as redes sociais, onde o grupo agora alcança mais de 400 mil seguidores no Instagram e 200 mil no TikTok. Compartilhou histórias de mais de 1.600 sobreviventes, muitas diretamente das famílias em vez de reportagens da mídia. Além da advocacia, Women for Change oferece suporte inicial, conectando vítimas a organizações e aconselhamento pro bono.
Esforços anteriores incluíram um protesto em abril nos Union Buildings, com um caixão não enterrado e 5.578 contas roxas – cada uma representando uma mulher morta em um ano. O movimento enfrentou críticas por destacar figuras como o falecido rapper AKA, o artista R&B R Kelly, o podcaster Andrew Tate e uma petição contra o show de Chris Brown em Joanesburgo, que gerou assédio. Walter respondeu a preocupações com transparência publicando demonstrações financeiras anuais, afirmando não receber salário. 'Não me pago salário, o que todos podem ver em nossas demonstrações financeiras, e faço isso por propósito e nada mais', disse ela. O grupo agora visa expandir sua equipe de apoio mantendo os esforços de conscientização. 'Acho que o mais importante é manter esse movimento vivo, continuar falando e educando uns aos outros', enfatizou Walter.