Uma coluna recente discute evidências de que a ampliação do Bolsa Família impactou negativamente a oferta de trabalhadores no Brasil, embora esse efeito pareça diminuir desde meados de 2025. O número de beneficiários caiu de 22 milhões no final de 2022 para 18,7 milhões em dezembro de 2025, influenciado por melhorias no mercado de trabalho e maior fiscalização. Apesar dos custos, estudos indicam que os benefícios do programa superam os efeitos adversos.
A discussão sobre o Bolsa Família ganhou destaque após um empresário de Santa Catarina relatar dificuldades para contratar mão de obra, atribuindo o problema ao programa e ameaçando fechar seu negócio. Esse episódio gerou polarização nas redes sociais, mas uma análise equilibrada revela nuances.
Evidências empíricas sugerem que a forte expansão do Bolsa Família, em cobertura e valor médio, gerou efeito negativo na oferta de trabalhadores e aumentou a informalidade. No entanto, esse impacto parece se reduzir desde meados de 2025, com a queda no número de beneficiários devido à melhora no mercado de trabalho e ao aperto na fiscalização governamental.
Entre 2014 e o final de 2021, o programa atendia entre 14 milhões e 14,5 milhões de famílias. Com a transição para o Auxílio Brasil no fim de 2021, a cobertura subiu para mais de 18 milhões até meados de 2022. Antes das eleições de 2022, chegou a cerca de 22 milhões no final daquele ano. De janeiro de 2023 a junho de 2025, recuou para 20,5 milhões, e no segundo semestre de 2025, caiu para 18,7 milhões em dezembro, uma redução de mais de 3 milhões em relação ao pico.
Estudos empíricos, baseados em dados anteriores à queda de 2025, indicam efeitos negativos na oferta de mão de obra, mas parte dos beneficiários, especialmente jovens, aumentou o tempo dedicado aos estudos, o que pode beneficiar o mercado futuro, conforme pesquisa de Daniel Duque publicada em agosto do ano anterior.
Avaliações mostram que os benefícios do programa superam seus custos, embora seja ideal aprimorá-lo para maximizar ganhos e minimizar perdas, considerando limitações fiscais. Além do Bolsa Família, fatores como o pleno emprego atual – contrastando com o excesso de desemprego entre 2016 e 2024 – e o crescimento da gig economy, de 770 mil trabalhadores em 2015 para 2,1 milhões em 2025 segundo o Banco Central, afetam mais a contratação.