Cape Town enfrenta reação contra muro de segurança proposto na N2

A Cidade de Cape Town planeia construir um muro de 180 milhões de rands ao longo de um trecho perigoso da autoestrada N2 perto do Aeroporto Internacional de Cape Town para conter ataques de arremesso de pedras contra motoristas. Residentes e ativistas criticaram a proposta por falta de consulta pública e desvio de fundos das causas raiz do crime. A área, conhecida como ‘Hell Run’, registou múltiplos incidentes violentos contra automobilistas.

A Cidade de Cape Town pretende construir um muro de segurança estimado em 180 milhões de rands ao longo do corredor da autoestrada N2 que leva ao Aeroporto Internacional de Cape Town. Esta medida visa proteger os motoristas de assaltos com arremesso de pedras numa secção notória apelidada de ‘Hell Run’. O projeto está previsto para o próximo ano financeiro, com detalhes orçamentais a serem revelados em março.

Residentes locais, como Linda Kabeni de Gugulethu, expressaram fortes objeções, destacando a ausência de envolvimento comunitário. ‘Se a cidade quer construir um muro, deve haver um processo de participação pública’, afirmou Kabeni. ‘Envolvam a comunidade e tragam-nos para a mesa.’ O gabinete de imprensa da cidade confirmou o planeamento, mas não forneceu detalhes sobre consultas, notando o compromisso com a iniciativa apesar do elevado custo.

O ‘Hell Run’ tem um histórico sombrio de ataques. Em agosto, os deputados da Democratic Alliance Ian Cameron, Nicholas Gotsell e Lisa Schickerling foram alvejados com tijolos a caminho do aeroporto. Outros casos incluem o incidente fatal com Leonie van der Westhuizen em março de 2023, que morreu devido a ferimentos após uma pedra partir o vidro do carro, e um assalto em julho de 2023 que fracturou o maxilar da estudante Lucilla Vlok. Em outubro de 2023, os turistas americanos Jason e Kate Zoladz foram assaltados à arma após um ataque com tijolo.

Críticos argumentam que o muro ignora problemas subjacentes como pobreza e desemprego nos townships vizinhos como Nyanga, Gugulethu, Philippi e Khayelitsha, que registam elevadas taxas de carjackings e homicídios. Tauriq Jenkins da Save Our Sacred Lands chamou-lhe uma ‘alocação grosseira de fundos públicos’, comparando-o a barreiras históricas divisórias. Chris Nissen da Comissão Sul-africana dos Direitos Humanos enfatizou policiamento visível em vez de infraestruturas, afirmando: ‘Gastar 180 milhões de rands num muro é profundamente mal colocado. O foco deve ser nas pessoas, não em muros.’

A South African National Roads Agency (Sanral) não foi consultada e esclareceu complexidades jurisdicionais ao longo da rota. Sanele Nkompela, residente de Khayelitsha, alertou que o muro aprofundaria divisões de classe, sugerindo que os fundos fossem redirecionados para habitação e criação de empregos.

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