Iniciativas comunitárias combatem fome infantil nas férias sul-africanas

Enquanto escolas sul-africanas e centros de aprendizagem inicial fecham para as férias de verão, milhares de crianças enfrentam riscos crescentes de fome e ambientes inseguros. Organizações comunitárias estão intervindo com distribuições de alimentos e espaços seguros para apoiar famílias vulneráveis durante a temporada festiva. Especialistas destacam a necessidade de intervenções mais amplas para abordar a insegurança alimentar contínua.

O fechamento de escolas e centros de desenvolvimento da primeira infância (ECD) durante as férias de dezembro deixou muitas crianças sem acesso a refeições diárias e áreas de brincadeira supervisionadas. O professor Eric Atmore, diretor do Centre for Early Childhood Development, observou que o Censo ECD 2021 registrou mais de 1,6 milhão de crianças inscritas em tais programas em todo o país. Ele estimou que 400.000 a 500.000 delas estão em insegurança alimentar, com base em dados da UNICEF que mostram 23% das crianças sul-africanas em pobreza alimentar grave.

"Nossa preocupação com os centros ECD não funcionando é que essas crianças serão altamente vulneráveis à fome durante as férias escolares, pois muitas vezes os pais não conseguem substituir o que o centro ECD fornece", disse Atmore.

Em Khayelitsha, Cidade do Cabo, o Khumbulani Health, Education and Resource Centre normalmente cuida de 297 crianças de seis meses a seis anos. A coordenadora de projetos Anathi Katsi Katsi descreveu o encerramento nas férias como particularmente difícil para pais trabalhadores e desempregados. "Estamos pensando nessas crianças vulneráveis que estão expostas aos estilos de vida das férias neste momento, e aquelas que não têm nada em suas mesas", disse ela, acrescentando que muitas frequentam por nutrição e apoio psicossocial.

Para preencher a lacuna, o Khumbulani opera uma cozinha de sopa às terças e quintas-feiras, atraindo crianças de seu programa de pós-escola. Os líderes visam lançar um programa de férias futuro para alívio.

Preocupações de segurança vão além da comida. Nkosikhona Swartbooi da Right to Play Campaign apontou a falta de espaços de brincadeira seguros em comunidades como Khayelitsha, onde crianças frequentemente brincam nas ruas. "Há essa incompatibilidade em termos de segurança para crianças na escola e em casa", disse ele, notando riscos em áreas pobres e de classe trabalhadora.

Em regiões rurais, a Rural and Farmworkers Development Organisation (RUFADO) relata maior insegurança alimentar durante o período festivo. O fundador Billy Claasen explicou que os fechamentos escolares exacerbam as pressões sobre lares de baixa renda, aumentando a exposição a acidentes, abuso de substâncias e exploração. O projeto de Natal da RUFADO entrega pacotes de alimentos, kits de higiene e atividades comunitárias para famílias em risco.

Esforços nacionais incluem a campanha Eastern Cape do Daily Maverick e SA Harvest, as Festive Food Boxes da FoodForward South Africa, a cozinha de sopa do Ladles of Love na Cidade do Cabo, o programa de refeições do The Hope Exchange para sem-teto, os cestos da Operation Antifreeze em Ekurhuleni, e rotinas de férias no Place of Mercy and Hope com Lwazi Educare no Eastern Cape.

Atmore exortou à vigilância comunitária: "Este conceito de ‘seu filho é meu filho’ se torna muito mais importante nesta época." Claasen pediu parcerias multissetoriais para enfrentar a pobreza estrutural, enquanto Lori Lake da University of Cape Town defendeu o aumento do Child Support Grant para combater a subnutrição o ano todo.

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