Mais de 20 médicos congoleses que trabalham no Quênia processaram o Ministério da Saúde e o Secretário de Gabinete Aden Duale após a recusa em renovar suas licenças e permissões de trabalho para 2026. Eles descrevem a medida como arbitrária e discriminatória, apesar de a República Democrática do Congo ser membro da Comunidade da África Oriental. Os médicos buscam ordens judiciais para proibir a ação, citando violações de seus direitos constitucionais e trabalhistas.
A ação judicial foi apresentada na segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, sob certificado de urgência pelo advogado Danstan Omari, representando os médicos. Omari argumentou que os médicos são membros da Comunidade da África Oriental (EAC), mas foram negadas as renovações apesar da garantia de Duale de que os profissionais da EAC não seriam afetados. “Ele foi muito categórico ao dizer que todos os médicos da comunidade da África Oriental seriam oferecidos emprego. Essa declaração não é verdadeira. Médicos congoleses não foram autorizados a renovar suas licenças”, afirmou Omari. De acordo com Omari, os médicos enfrentaram problemas no ano passado, pagando até Ksh 500.000 para renovações de licenças em vez dos Ksh 20.000 exigidos. São profissionais qualificados da República Democrática do Congo (RDC) que vivem e trabalham no Quênia há mais de uma década, atendendo instalações de saúde públicas e privadas. Eles alegam que novos requisitos e custos impostos pelas autoridades bloquearam as renovações, alertando que, sem intervenção judicial, os pacientes perderão cuidados essenciais e as famílias dos profissionais enfrentarão dificuldades econômicas. A ação segue as diretrizes de Duale que priorizam profissionais de saúde treinados no Quênia para licenças e empregos em detrimento dos estrangeiros. A medida é apoiada pelo Kenya Medical Practitioners and Dentists Union (KMPDU), que acusa instalações privadas de explorar mão de obra estrangeira barata e marginalizar locais. Duale afirmou que a política está alinhada com as melhores práticas internacionais, enfatizando que nenhum país constrói um sistema de saúde sustentável dependendo principalmente de trabalhadores estrangeiros. No entanto, as ordens de Duale isentavam profissionais de Estados membros da EAC, e esse compromisso agora está em questão após a petição dos médicos da RDC. O caso está agendado para direções judiciais urgentes, com os médicos instando os governos queniano e da RDC a colaborarem em uma solução duradoura.