Demian Reidel, ex-chefe da Nucleoeléctrica Argentina, negou ter utilizado cartões corporativos da empresa estatal para despesas pessoais. Ele afirmou que seus gastos foram estritamente oficiais e pediu uma investigação de cada transação. O escândalo surgiu a partir de um relatório oficial que detalha gastos questionáveis ocorridos entre março de 2025 e fevereiro de 2026.
Um anexo oficial de 58 páginas, incluído pelo chefe de gabinete Manuel Adorni em um relatório aos legisladores, expôs gastos realizados com cartões corporativos da Nucleoeléctrica Argentina durante a gestão de Reidel. O documento, solicitado pela deputada Florencia Carignano, registra gastos em free shops, casas noturnas, cabeleireiros, serviços de praia e saques em dinheiro que superam 50 milhões de pesos entre março de 2025 e fevereiro de 2026.
Reidel, que deixou a empresa em fevereiro de 2026 em meio a alegações de superfaturamento, respondeu em sua conta no X: “Ante las versiones periodísticas, aclaro: mis resúmenes de tarjeta corporativa no muestran ningún gasto personal. Cero discotecas ni servicio de playa ni free shop ni nada” ("Diante das versões jornalísticas, esclareço: meus resumos de cartão corporativo não mostram nenhum gasto pessoal. Zero discotecas, serviço de praia, free shop ou qualquer coisa do tipo"). Ele acrescentou: “Los artículos mezclan datos de todas las tarjetas de la empresa. Intentar asignármelo a mí es mala fe absoluta” ("Os artigos misturam dados de todos os cartões da empresa. Tentar atribuí-los a mim é absoluta má-fé").
A Nucleoeléctrica justificou as despesas como diárias auditadas vinculadas a viagens oficiais, como a aquisição de um simulador para a usina Atucha I, na Espanha. A empresa afirmou possuir 103 cartões ativos, todos sujeitos a auditorias, e que os gastos devem estar em conformidade com a Decisão Administrativa 888/2024, que estabelece limites diários para diárias e hospedagem na Europa.
Reidel, físico e economista formado pelo Instituto Balseiro, Universidade de Chicago e Harvard, com passagens pelo Goldman Sachs e JP Morgan, foi nomeado em abril de 2025 para liderar a empresa estatal que opera as usinas nucleares Atucha I, Atucha II e Embalse. Sua saída foi marcada por tensões internas e questionamentos sobre contratos e verbas.