O preço médio do diesel vendido por refinarias e importadoras a distribuidoras no Brasil aumentou 40% na primeira quinzena de março, para R$ 5,36 por litro, devido à escalada das cotações internacionais após ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã. Nos postos, o combustível ficou 20% mais caro até a semana passada, segundo a ANP. O governo Lula pressiona o setor para conter repasses ao consumidor.
A ANP registrou que o diesel foi vendido na semana de 15 de março a R$ 5,36 por litro, contra R$ 3,85 na semana anterior ao início da guerra no Irã. A alta resulta de reajuste de 11% nas refinarias da Petrobras, importações privadas mais caras e aumentos na Refinaria de Mataripe, controlada pelo Mubadala. O diesel puro compõe cerca de metade do preço final nos postos, com o restante sendo biodiesel, impostos e margens. Até a semana passada, o preço nos postos subiu 20% conforme dados da agência reguladora. O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou ações contra donos de postos e distribuidoras para mitigar impactos nos preços ao consumidor, especialmente com vistas às eleições de outubro, envolvendo ANP, Ministério da Justiça e Procon. A subvenção ao diesel, principal medida contra os efeitos da guerra, aguarda regulamentação da ANP, com regras previstas para discussão em reunião de diretoria nesta sexta-feira (26). Petrobras e Refinaria de Mataripe anunciaram adesão, mas importadoras esperam detalhes. O subsídio inicial de R$ 0,32 por litro é considerado insuficiente para cobrir perdas em relação ao preço internacional; o governo busca elevar para R$ 1,20, dependendo de acordo com estados. Em nota técnica, a ANP mencionou 'situação excepcional de risco' ao abastecimento devido à queda nas importações iniciais, adotando medidas como flexibilização de estoques mínimos e determinação de leilões da Petrobras. Nesta quinta (26), a estatal confirmou liberação dos volumes suspensos como cotas extras em contratos. Sérgio Araújo, presidente da Abicom, afirmou: 'A situação está bem melhor do que na semana passada. Não vou dizer que está confortável, mas está longe de ser desesperador.' Fontes do setor indicam melhora nas previsões de importações para abril, reduzindo riscos de desabastecimento.