Uma revisão narrativa no World Journal of Pediatrics afirma que o uso de melatonina entre crianças e adolescentes aumentou acentuadamente—especialmente onde o hormônio é vendido sem receita médica—enquanto os dados de longo prazo sobre segurança e eficácia, particularmente para crianças em desenvolvimento típico, permanecem limitados. Os autores também destacam preocupações com dosagens inconsistentes de suplementos e ingestões acidentais crescentes em crianças pequenas.
A melatonina tornou-se um auxílio comum para o sono em crianças em muitos países, facilitada pelo acesso sem receita em lugares como os Estados Unidos e sua reputação entre algumas famílias como uma alternativa “natural” a medicamentos prescritos. nnUma revisão narrativa da especialista em sono do Boston Children’s Hospital, Judith Owens, publicada no World Journal of Pediatrics, afirma que o uso pediátrico aumentou substancialmente em todo o mundo e argumenta que a prática clínica superou a base de evidências—particularmente quanto a resultados de longo prazo. A revisão, “Melatonin use in the pediatric population: an evolving global concern”, foi publicada online em 30 de abril de 2025 e depois apareceu na edição de novembro de 2025 da revista (Vol. 21, No. 11, pp. 1081–1089). nnA revisão conclui que a evidência mais forte para o benefício da melatonina está em crianças com condições neurodesenvolvimentais e insônia, incluindo transtorno do espectro autista e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Nesses grupos, estudos sugerem que a melatonina pode reduzir o tempo para adormecer e estender modestamente o tempo total de sono, com melhorias reportadas na qualidade de vida dos cuidadores. nnPara crianças em desenvolvimento típico, a revisão afirma que a evidência é mais frágil e menos consistente. Muitos ensaios randomizados foram curtos e focaram mais em crianças mais velhas e adolescentes, deixando menos certeza sobre crianças menores mesmo assim o uso parece estar se expandindo. nnOs autores também apontam questões não resolvidas sobre segurança a longo prazo. Como a melatonina é um hormônio com efeitos além da regulação do sono, eles observam que continua incerto se o uso prolongado poderia afetar a puberdade, a função imune, o metabolismo ou o desenvolvimento neurológico. nnAlém da farmacologia, a revisão levanta preocupações com segurança de produtos e saúde pública. Ela cita testes que mostram que o conteúdo real de melatonina em alguns suplementos comercializados pode diferir substancialmente do alegado nas etiquetas, e que alguns produtos continham compostos inesperados, como serotonina. nnEla também destaca o aumento nas ingestões acidentais reportadas a centros de controle de venenos, particularmente entre crianças mais novas. A vigilância dos Centers for Disease Control and Prevention dos EUA documentou um aumento acentuado nas ingestões pediátricas de melatonina na última década, e uma análise separada do CDC identificou milhares de visitas a departamentos de emergência entre bebês e crianças pequenas após ingestão não supervisionada de melatonina nos últimos anos. nnA revisão recomenda que clínicos e cuidadores tratem a melatonina como um hormônio biologicamente ativo, e não como um suplemento inofensivo. Ela recomenda que abordagens comportamentais—como rotinas consistentes de hora de dormir, limitação da exposição a telas antes de dormir e definição de expectativas de sono apropriadas à idade—continuem sendo a resposta de primeira linha para a maioria das insônias infantis. nnQuando a melatonina for usada, os autores recomendam supervisão médica, iniciando com a menor dose eficaz, limitando a duração e associando o tratamento a uma avaliação dos hábitos de sono da criança e dos fatores subjacentes. Eles também clamam por maior supervisão e padrões de rotulagem mais claros para produtos destinados a crianças, além de mais pesquisas clínicas de longo prazo para orientar o atendimento pediátrico.