Cientistas preveem uma probabilidade de 80% de que um El Niño se forme até setembro, com a maioria dos modelos apontando para um evento moderado. Algumas simulações indicam a possibilidade de um episódio muito mais forte. Espera-se que o aquecimento global intensifique os efeitos de qualquer ocorrência desse tipo.
O fenômeno El Niño envolve mudanças nos ventos e nas águas do Oceano Pacífico que podem alterar os padrões climáticos em todo o mundo. Um evento ocorre quando as temperaturas da superfície do mar no Pacífico central e oriental sobem mais de 0,5 grau Celsius acima da média. Episódios fortes históricos em 1982-83, 1997-98 e 2015-16 causaram danos generalizados, incluindo a morte de corais e prejuízos econômicos que chegaram a trilhões de dólares. Axel Timmermann, da Universidade Nacional de Pusan, observou que eventos futuros de força semelhante produzirão maiores impactos regionais porque o mundo está mais quente. Richard Allan, da Universidade de Reading, afirmou que o aumento da umidade atmosférica tornará as inundações mais intensas, enquanto as secas durarão mais tempo devido à secagem mais rápida do solo. Modelos da equipe de Timmermann também projetam oscilações mais fortes entre as fases de El Niño e La Niña, que podem começar a afetar o clima na Europa e no Atlântico. Adam Scaife, do Met Office Hadley Centre, afirmou que ainda há discordância entre os modelos climáticos sobre se os próprios eventos de El Niño se intensificarão. Projeta-se que a atual tendência de aquecimento continue amplificando os efeitos pelo menos até depois de 2150.