O ministro das Finanças da África do Sul, Enoch Godongwana, informou ao prefeito de Joanesburgo, Dada Morero, que a cidade está em grave situação financeira e não tem condições de arcar com um acordo salarial de 10,3 bilhões de rands assinado com funcionários municipais no ano passado.
Em uma carta enviada por volta de 23 de abril, Godongwana afirmou que a cidade deve 25,2 bilhões de rands a credores, enquanto possui apenas 3,9 bilhões de rands em caixa. Ele descreveu o acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Municipais da África do Sul, concluído em novembro de 2025, como ilegal e sem financiamento. O ministro alertou que reteria um subsídio de 8 bilhões de rands referente à parcela equitativa caso o acordo não seja suspenso.
A cidade já ultrapassou o orçamento com custos de pessoal e operações. Joanesburgo perdeu 12,9 bilhões de rands em despesas não autorizadas no ano de 2023/24, e sua relação dívida/receita aumentou 29% no ano seguinte. A agência de classificação de risco Moody's colocou a dívida da cidade em revisão para possível rebaixamento em abril, enquanto a Bolsa de Valores de Joanesburgo suspendeu seus títulos de dívida em março.
Partidos de oposição e grupos da sociedade civil pediram medidas urgentes. A candidata à prefeitura pelo DA, Helen Zille, afirmou que a carta foi a mais direta que já viu em sua carreira e defendeu a administração financeira sob supervisão do Tesouro Nacional. O ANC em Joanesburgo solicitou uma reunião urgente com o ministro para proteger os interesses dos trabalhadores.