O Ibama aplicou uma multa de R$ 2,5 milhões à Petrobras por um vazamento de fluido de perfuração ocorrido em janeiro na bacia da Foz do Amazonas. O incidente envolveu a descarga de 18,44 m³ de mistura oleosa no mar, classificada como de risco médio para a saúde humana e o ecossistema aquático. Apesar das alegações da estatal de que o material é biodegradável, o episódio gerou protestos e levou à suspensão temporária das operações.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) emitiu um auto de infração contra a Petrobras no valor de R$ 2,5 milhões devido a um vazamento de fluido durante a perfuração de um poço na bacia da Foz do Amazonas, ocorrido em janeiro de 2026. De acordo com o órgão, 18,44 m³ de fluido de perfuração de base não aquosa – uma mistura oleosa usada em operações de exploração de petróleo e gás – foram descarregados acidentalmente no mar pelo navio sonda NS-42. Esse fluido contém componentes na categoria de risco B, representando ameaça média à saúde humana e ao ambiente aquático.
A Petrobras tem 20 dias para pagar a multa ou apresentar defesa administrativa. A estatal afirmou que o material é biodegradável e não causa impactos ambientais, mas não respondeu imediatamente sobre a autuação. O vazamento ocorreu em duas tubulações flexíveis (risers) que conectam a plataforma ao fundo do mar, durante atividades preparatórias para a quarta fase da perfuração. Um parecer da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) atribuiu o incidente a falhas na vedação de juntas, agravadas por fortes correntes costeiras do Amapá, que geram deslocamentos laterais elevados. A sonda opera a cerca de 2.900 metros acima do leito marinho, a maior distância registrada em poços brasileiros nessa região.
As correntes na área eram um risco conhecido, destacado por ambientalistas, indígenas e pelo próprio Ibama. Historicamente, a Petrobras perfurou 95 poços na bacia desde os anos 1970, com 31 abandonados por dificuldades operacionais, incluindo uma suspensão em 2011 devido a correntezas. O episódio gerou protestos de ativistas e organizações indígenas, que alertam sobre os impactos da exploração de petróleo em ecossistemas sensíveis com corais e manguezais.
Nesta semana, a ANP autorizou a retomada das operações, com condicionantes como substituição de selos de juntas nos risers, treinamento de funcionários, monitoramento intensificado de vibrações e proibição de juntas sem certificação. Inicialmente, a estatal previa concluir o poço em cinco meses. O presidente do Ibama enfatizou a rigidez nos licenciamentos para minimizar acidentes: “É aquela coisa, você tem o extintor na parede, mas não quer que tenha um incêndio”. Ele descreveu a Foz do Amazonas como “mais sensível” e notou que a Petrobras lidera as autuações do órgão por incidentes menores.