Perda do cromossomo Y influencia resultados do câncer de pulmão em homens

Homens com adenocarcinoma pulmonar, a forma mais comum de câncer de pulmão, frequentemente perdem o cromossomo Y em suas células tumorais, o que ajuda os tumores a evadir o sistema imunológico, mas melhora a resposta a um medicamento chave de imunoterapia. Esse fenômeno, estudado por pesquisadores em Boston, destaca o papel complexo da perda do cromossomo Y na progressão do câncer. Embora possa piorar o crescimento tumoral, não parece afetar a sobrevivência geral nesse tipo de câncer.

À medida que os homens envelhecem, muitas células perdem seus cromossomos Y, uma mutação ligada a doenças cardíacas e expectativa de vida reduzida. No câncer, essa perda foi mais estudada em tumores de bexiga, mas uma nova pesquisa foca no adenocarcinoma pulmonar, que se origina nas células produtoras de muco que revestem as vias aéreas.

Dawn DeMeo no Hospital Brigham and Women’s em Boston e seus colegas, incluindo John Quackenbush na Universidade de Harvard, analisaram a expressão gênica do cromossomo Y em um banco de dados público de amostras de adenocarcinoma pulmonar. Eles descobriram que células cancerosas frequentemente careciam de cromossomos Y, ao contrário de células pulmonares saudáveis ou células imunes, e isso ocorria independentemente do histórico de tabagismo—um fator de risco conhecido tanto para o câncer de pulmão quanto para a perda de Y.

A perda se acumula ao longo do tempo, com alguns pacientes mostrando uma proporção maior de células tumorais sem Y. Isso está ligado à expressão reduzida de antígenos que normalmente alertam as células T para atacar células anormais. “À medida que as células tumorais perdem seus cromossomos Y, elas se tornam cada vez mais capazes de evadir a vigilância imunológica, e isso argumentaria que elas são selecionadas para isso”, diz Quackenbush. De fato, as células T eram menos comuns em tumores com perda de Y.

No entanto, essa mesma perda se correlaciona com melhores resultados do pembrolizumabe, um inibidor de checkpoint imunológico que aumenta a atividade das células T contra tumores. Em dados de 832 pacientes tratados com o medicamento, a perda de Y foi associada a respostas melhoradas. “Quando você tem LOY [perda de Y], você é mais responsivo a inibidores de checkpoint”, diz Dan Theodorescu na Universidade do Arizona, que observou efeitos semelhantes no câncer de bexiga.

Apesar de a perda de Y encurtar a expectativa de vida dos homens em geral, ela não impacta a sobrevivência no adenocarcinoma pulmonar. Theodorescu sugere que pesquisas adicionais poderiam posicionar a perda de Y como um biomarcador para decisões de tratamento, variando por tipo de câncer.

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