O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV na noite de 30 de novembro, defendendo a isenção do Imposto de Renda para salários até R$ 5 mil mensais. Ele criticou os privilégios da elite brasileira e destacou que a medida injetará R$ 28 bilhões na economia em 2026. A compensação virá da taxação de super-ricos, segundo Lula.
Na noite de 30 de novembro de 2025, por volta das 20h30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a cadeia nacional de rádio e televisão para um pronunciamento de cerca de seis minutos. A fala focou na defesa da nova lei de isenção do Imposto de Renda (IR), aprovada por unanimidade na Câmara dos Deputados em outubro e no Senado em novembro, e sancionada em 26 de novembro. A medida entrará em vigor em 1º de janeiro de 2026, isentando totalmente salários de até R$ 5.000 e reduzindo o imposto para rendas entre R$ 5.000 e R$ 7.350 mensais.
Lula comparou o benefício a um '14º salário', afirmando que, segundo cálculos da Receita Federal, injetará R$ 28 bilhões na economia em 2026. 'Com zero de Imposto de Renda, uma pessoa com salário de R$ 4.800 pode fazer uma economia de R$ 4 mil em um ano. É quase um 14º salário', disse o presidente. Ele exemplificou usos do dinheiro extra, como quitar dívidas, viajar ou comprar uma televisão maior para assistir à Copa do Mundo de 2026, impulsionando consumo, comércio, indústria e empregos.
O presidente enfatizou que a compensação fiscal não afetará saúde ou educação, mas virá da taxação de super-ricos — 0,1% da população, cerca de 140 mil pessoas com renda acima de R$ 1 milhão por ano, que pagarão até 10% de IR. 'Estamos falando de gente que ganha 10, 20, 100 vezes mais do que 99% do povo brasileiro, e que vai contribuir com 10% de imposto sobre a renda, para dar um alívio às famílias que trabalham', declarou Lula.
Ele criticou duramente os 'privilégios da elite' acumulados em 500 anos de história brasileira, chamando de 'vergonhoso' o fato de a elite pagar em média 2,5% de IR, contra 27,5% dos trabalhadores. 'Quem mora em mansão, tem dinheiro no exterior, coleciona carros importados, jatinhos particulares e jet-skis, paga dez vezes menos do que uma professora, um policial ou uma enfermeira', afirmou. Lula listou conquistas como a volta do Brasil ao top 10 economias mundiais, saída do Mapa da Fome e baixas inflação e desemprego, mas lembrou a desigualdade persistente, com 1% mais rico detendo 63% da riqueza.
A medida, promessa de campanha, é vista como primeiro passo contra a injustiça tributária e aposta para as eleições de 2026. Cerca de 15 milhões de brasileiros deixarão de pagar IR, com custo de R$ 31,2 bilhões compensado pela taxação dos super-ricos.