Um juiz do estado de Washington permitiu que um processo inédito por homicídio culposo contra grandes empresas de petróleo siga para julgamento. O caso alega que companhias de combustíveis fósseis conheciam os riscos climáticos há décadas, mas enganaram o público. Quase 40 ações semelhantes estão pendentes em todo os Estados Unidos.
Misti Leon processou a Exxon Mobil, BP, Chevron, Shell e outras gigantes do setor petrolífero no ano passado. Ela afirma que as ações das empresas contribuíram para o calor extremo que causou a morte de sua mãe durante uma cúpula de calor em 2021 no Noroeste Pacífico, quando as temperaturas atingiram 108 graus Fahrenheit (42,2 graus Celsius).
Um juiz do Condado de King decidiu contra as moções das empresas para arquivar o processo no início deste mês. A decisão permite que o caso avance para a fase de descoberta de provas. Pelo menos outras cinco ações judiciais, em Massachusetts, Vermont, Connecticut, no Distrito de Colúmbia e em Honolulu, também chegaram a essa etapa.
A indústria petrolífera respondeu fazendo lobby por proteções legais. Vários estados, incluindo Utah, Iowa, Tennessee, Oklahoma e Louisiana, aprovaram leis que protegem empresas de combustíveis fósseis contra reivindicações relacionadas ao clima. O American Petroleum Institute listou o impedimento de tais políticas de responsabilidade como uma prioridade para 2026.
Uma revisão da Suprema Corte sobre um caso de Boulder, no Colorado, está agendada para este outono e pode influenciar outros processos. As Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina publicaram recentemente um relatório que reforça a ligação científica entre as mudanças climáticas e o clima extremo.