Partindo de uma camada de neve em níveis recordes de baixa e riscos precoces de calor no início da primavera, uma prolongada onda de calor em março quebrou recordes de temperatura em todo o oeste dos EUA, de Tucson a Casper. Descrita como a mais precoce e abrangente no Sudoeste, a mudança climática tornou o fenômeno muito mais provável, agravando as secas do inverno e aumentando as ameaças de longo prazo para os incêndios florestais e o ecossistema.
A onda de calor de março persistiu por quase duas semanas, quebrando recordes diários de temperaturas máximas em muitos locais — algumas superando até mesmo as médias de maio. O climatologista Daniel Swain classificou o fenômeno como 'excepcionalmente difícil para o sistema terrestre produzir temperaturas tão elevadas tão cedo'. Zachary Labe, do Climate Central, observou sua duração incomum. Pesquisadores, incluindo a World Weather Attribution Initiative (conforme mencionado em coberturas anteriores), vinculam sua intensidade às mudanças climáticas.
Este evento fechou um inverno já detalhado em reportagens anteriores: calor recorde, seca e níveis baixos de neve, fundamentais para a gestão hídrica e a prevenção de incêndios. O ecologista florestal Christopher Still chamou isso de 'a pior forma possível de encerrar o inverno... um ponto de exclamação no pior inverno em um século'. Embora o momento possa ter protegido algumas plantas do deserto, especialistas alertam para riscos mais amplos.
Com base na cúpula de calor do Noroeste do Pacífico de 2021 — que matou árvores, aves e vida marinha, prejudicando mais de 75% das espécies —, Julia Baum, da Universidade de Victoria, destacou a vulnerabilidade de espécies imóveis ao calor extremo no litoral (chegando a 50°C). Eventos repetidos como o de março podem levar a mudanças permanentes no ecossistema, secando ainda mais as paisagens e aumentando os perigos de incêndios florestais em meio à baixa camada de neve.