Operadoras sem fio e grupos da indústria instaram a FCC a abandonar uma proposta que permite que prisões bloqueiem telefones contrabandeados, argumentando que isso perturbaria comunicações de emergência e legais. O plano, proposto pelo presidente Brendan Carr em setembro de 2025, tem apoio de procuradores-gerais republicanos e fornecedores de telefones prisionais, mas enfrenta forte oposição devido a limitações técnicas. Comentários públicos encerraram no final de dezembro de 2025, deixando a FCC considerar os próximos passos.
A Comissão Federal de Comunicações (FCC) está avaliando uma proposta controversa para permitir que prisões estaduais e locais usem jamming de radiofrequência para bloquear telefones celulares contrabandeados dentro das instalações. Emitida em setembro de 2025 pelo presidente Brendan Carr, a proposta visa abordar o influxo de dispositivos ilegais usados em atividades criminosas, incluindo operações de drogas e intimidação de testemunhas. "Telefones contrabandeados têm inundado prisões estaduais e locais por dezenas de milhares todo ano", afirmou Carr, notando que medidas anteriores como sistemas de interdição de contrabando se mostraram insuficientes.
A proposta autorizaria pela primeira vez a operação não federal de soluções de jamming, potencialmente criando "zonas mortas" dentro das prisões. Apoiam-na 23 procuradores-gerais estaduais republicanos, que destacaram como os presos usam telefones contrabandeados para "coordenar empresas criminosas, intimidar testemunhas e orquestrar violência". Empresas de telefones prisionais como Global Tel*Link (ViaPath) e NCIC Correctional Services também apoiam a ideia, vendo-a como uma ferramenta para aumentar a dependência de sistemas oficiais e restringir o acesso em cadeias menores.
No entanto, grandes operadoras sem fio e grupos comerciais apresentaram objeções veementes. A CTIA, que representa a indústria, alertou em comentários de 29 de dezembro que "o jamming bloqueará todas as comunicações, não apenas as de dispositivos contrabandeados", incluindo chamadas para 911, e afirmou que a FCC não tem autoridade para permiti-lo. A AT&T ecoou isso, chamando o quadro de baseado em uma "premissa fática falha" pois os jammers não podem diferenciar entre dispositivos autorizados e não autorizados. "Não há como fazer jamming em algumas comunicações em uma banda de espectro mas não em outras", escreveu a AT&T, referenciando a própria explicação da FCC de 2013 de que tais dispositivos tornam todas as sinais sem fio nas frequências afetadas inutilizáveis.
Grupos de telecomunicações como a Telecommunications Industry Association notaram que os riscos cresceram com o aumento do uso de banda larga sem fio, potencialmente perturbando serviços dentro e fora das instalações. A Wi-Fi Alliance levantou alarmes sobre impactos no espectro não licenciado, argumentando que minaria princípios de uso compartilhado. A GPS Innovation Alliance alertou para efeitos de derramamento em bandas adjacentes.
Opositores promovem alternativas como Sistemas de Acesso Gerenciado (MAS), que criam redes privadas para interceptar sinais contrabandeados sem interferência ampla, permitindo chamadas 911 e aprovadas prosseguirem. O aviso da FCC sugeriu um programa piloto para testar riscos, uma ideia apoiada por algumas operadoras. Com os comentários agora fechados, Carr deve decidir se avança, revisa ou abandona o plano na comissão de maioria republicana.