A Comissão Federal de Comunicações dos EUA autorizou a SpaceX a quase duplicar a sua constelação de satélites Starlink para 15.000 até 2031, incluindo colocação em órbitas mais baixas. Esta medida visa melhorar o acesso à banda larga em toda a América, mas gerou alertas de astrofísicos sobre colisões potenciais, poluição atmosférica e vulnerabilidade a tempestades solares. Embora prometa internet mais rápida para utilizadores rurais, a expansão aumenta os receios de um ambiente orbital sobrelotado.
A Comissão Federal de Comunicações (FCC) concedeu recentemente à SpaceX permissão para lançar mais 7.500 satélites Starlink, elevando o total para cerca de 15.000 em órbita terrestre baixa até 2031. Esta aprovação, emitida sob a administração Trump, permite que os satélites desçam a altitudes tão baixas quanto 211 milhas, o que poderia reduzir a latência e aumentar a capacidade para serviços de internet. O presidente da FCC, Brendan Carr, descreveu a decisão como um «mudança de jogo para ativar serviços de próxima geração», enfatizando o seu papel na restauração da liderança tecnológica da América e na garantia de que a banda larga chegue a comunidades subatendidas. No entanto, os cientistas que monitorizam a atividade satelital expressam reservas significativas. Jonathan McDowell, astrofísico que acompanha lançamentos, observou: «A FCC está a proceder pelo menos com alguma deliberação, embora ainda tenha preocupações sobre o impacto ambiental destas constelações.» Com cerca de 40.000 objetos atualmente rastreados no espaço e mais de 1,2 milhões de peças de detritos menores que representam riscos, a adição de milhares de satélites mais amplifica os perigos de colisão. Vishnu Reddy, professor de ciências planetárias na University of Arizona, destacou a ameaça de objetos sub-10 centímetros não rastreados que escapam às redes de vigilância. Uma grande preocupação é a Síndrome de Kessler, um cenário em que colisões de detritos criam uma reação em cadeia em cascata, tornando as órbitas inutilizáveis. Os satélites Starlink já realizam manobras frequentes —144.404 nos seis meses até maio de 2025— para evitar perigos, ocorrendo aproximadamente a cada 106 segundos. Órbitas mais baixas podem melhorar o desempenho, mas aumentam a suscetibilidade a tempestades solares, que podem causar arrasto atmosférico e perturbar a estabilidade dos satélites durante dias, de acordo com investigadores da University of California, Irvine. O desorbitamento representa outro problema: os satélites, com duração de cerca de cinco anos, queimam à reentrada, libertando nanopartículas de óxido de alumínio. Um estudo financiado pela NASA em 2024 projeta um excesso de 640% sobre os níveis naturais de lançamentos futuros, podendo alterar a composição estratosférica. Amostras de 2023 mostraram que 10% das partículas estratosféricas já contêm metais de satélites, podendo subir para 50%. Para além da Starlink, a atividade global intensifica os riscos; a China solicitou 200.000 satélites à International Telecommunication Union, enquanto o Project Kuiper da Amazon se junta à mistura. Apesar destas preocupações, a expansão pode transformar a conectividade, com utilizadores em áreas remotas como o Alasca a elogiar a Starlink como transformadora para o acesso à educação e cuidados de saúde.