A era das estações espaciais comerciais está prestes a começar em 2026, com empresas privadas se preparando para lançar seus próprios postos avançados orbitais após a aposentadoria planejada da Estação Espacial Internacional. Essas iniciativas visam preencher a lacuna deixada pela ISS e fomentar uma nova economia em órbita terrestre baixa. Especialistas antecipam inovação e reduções de custos impulsionadas pela competição entre provedores.
Por quase três décadas, a Estação Espacial Internacional (ISS) serviu como o único destino para astronautas e experimentos em órbita terrestre baixa. No entanto, com a NASA e seus parceiros planejando desorbitar a ISS até o final da década, estações de propriedade comercial estão assumindo para manter a presença humana no espaço.
"Esses projetos estão em desenvolvimento há vários anos, principalmente em parceria com a NASA, e 2026 será realmente o início do voo de hardware", diz Mary Guenther, chefe de política espacial no Progressive Policy Institute em Washington DC. Embora módulos privados tenham se acoplado anteriormente à ISS, como os da agora extinta Bigelow Aerospace, nenhuma estação comercial independente foi lançada até agora.
Liderando em 2026 está a startup Vast, que planeja enviar sua estação Haven-1 para a órbita no topo de um foguete SpaceX Falcon 9 o mais cedo possível em maio. Menor e mais simples que a ISS, a Haven-1 dependerá da cápsula Crew Dragon da SpaceX para suporte vital e pode acomodar quatro tripulantes. Ela possui uma cúpula de fotografia e wi-fi para turismo espacial e pesquisa em microgravidade, servindo como precursora da mais ambiciosa Haven-2, concebida como sucessora da ISS.
"Acho que todos, incluindo a Vast, estão mirando 2030", observa Colin Smith na Vast. "A ISS vai descer no final de 2030, então as pessoas olham para seus calendários dizendo: 'Uh-oh, é 2025, devemos fazer algo.'"
Enquanto isso, a Sierra Space pretende lançar um protótipo de seu módulo Large Integrated Flexible Environment em 2026. Esse habitat expansível fará parte do projeto Orbital Reef, liderado pela Blue Origin e Sierra Space, ao lado de seu avião espacial Dream Chaser.
A transição para estações comerciais promete diversidade, com múltiplos modelos visando mercados variados. Guenther destaca o potencial da competição para estimular inovação: "Estou ansiosa para ver como eles se diferenciam para atrair negócios e como essa competição impulsionará a inovação. Espero que o ferro afie o ferro."
Proponentes argumentam que essas estações poderiam cortar custos em comparação com a ISS, que custou cerca de 150 bilhões de dólares para abrigar apenas sete pessoas. "Nosso objetivo de longo prazo é ter milhões de pessoas vivendo e trabalhando no espaço", acrescenta Smith. Indústrias emergentes como farmacêutica e materiais podem migrar para essas plataformas, embora sua viabilidade comercial ainda precise ser comprovada com o início dos lançamentos.