Uma revisão na revista Aging (Aging-US) afirma que células senescentes — frequentemente chamadas de “células zumbis” — podem contribuir para a cicatrização de feridas e a estabilidade tecidual em alguns contextos, mesmo quando outras células senescentes promovem inflamação e doenças relacionadas à idade.
Uma revisão científica publicada em 4 de maio de 2026 na Aging (Aging-US) argumenta que a senescência celular é biologicamente mais complexa do que a interpretação popular de que “todas as células zumbis são prejudiciais”.
Os autores escrevem que as células senescentes são definidas pela parada estável do ciclo celular, mas são funcionalmente heterogêneas — o que significa que seus efeitos podem diferir de acordo com o tipo de célula, o ambiente tecidual e a forma como a senescência é induzida. Na estrutura da revisão, alguns programas de células senescentes podem ser fisiologicamente úteis, incluindo papéis no desenvolvimento embrionário, cicatrização de feridas e manutenção da homeostase tecidual, enquanto outras células senescentes contribuem para inflamação crônica e patologias relacionadas à idade.
O artigo — intitulado “Cellular senescence: from pathogenic mechanisms to precision anti-aging interventions” — lista Jian Deng como primeiro autor e Dong Yang como autor correspondente, ambos afiliados ao West China Hospital, da Sichuan University, em Chengdu, na China.
Em diversos sistemas orgânicos, a revisão examina evidências e mecanismos propostos para a senescência e seus efeitos secundários em tecidos que incluem fígado, pulmões, rins, coração, tecido adiposo, cérebro e pele. O trabalho também argumenta que a área está avançando para abordagens mais seletivas que visam identificar e atingir subconjuntos de células senescentes desadaptativas, evitando a interrupção de funções potencialmente benéficas das células senescentes.
A revisão não afirma que as células senescentes são amplamente inofensivas; pelo contrário, enfatiza que tratar todas as células senescentes como um alvo único pode ser excessivamente simplista e pode acarretar riscos se as terapias eliminarem células envolvidas em processos normais de reparação.