O Serviço de Polícia Sul-Africano (SAPS) lida com 48.569 ações civis por prisões ilegais e detenções injustas, totalizando uma responsabilidade potencial de R56,7 bilhões. Esta crise decorre de problemas sistémicos como formação deficiente e impunidade, erodindo a confiança pública nas forças da lei. Os pagamentos recentes atingiram R620 milhões apenas no ano financeiro de 2024/25.
O Serviço de Polícia Sul-Africano (SAPS) enfrenta uma crise financeira e reputacional massiva, com 48.569 ações civis pendentes por prisões ilegais e detenções injustas. Estas ações representam uma responsabilidade contingente de R56,7 bilhões, conforme revelado numa pergunta parlamentar da deputada do Economic Freedom Fighters Lorato Fito ao ministro interino da Polícia Firoz Cachalia. nnEste valor não indica montantes já pagos, mas abrange todas as ações registadas no Sistema de Controlo de Perdas do SAPS. Os pagamentos têm aumentado: R541 milhões em 2022/23, descendo para R491 milhões em 2023/24, depois subindo para R620 milhões em 2024/25. De abril a setembro no ano financeiro atual, o SAPS desembolsou R301 milhões. Províncias como North West, Gauteng e KwaZulu-Natal registaram os incidentes mais elevados, com alguns pagamentos no North West ligados ao Massacre de Marikana. nnCasos individuais destacam o custo humano. Franco O’Riley, preso sem mandado em Zeerust, North West, a 6 de dezembro de 2016 por agressão simples, foi detido até 8 de dezembro. O Tribunal Superior do North West em Mahikeng ordenou que o SAPS lhe pagasse R80.000 em agosto de 2025 por privação de liberdade. O’Riley partilhou o seu trauma: «O meu maior medo era ser violado na prisão. Felizmente, não havia muitas pessoas na minha cela. Depois de uma experiência assim, nunca mais és a mesma pessoa. Perdes toda a confiança na polícia. Temes-nos e nunca mais ligas para a polícia.» Mudou-se para reconstruir a vida. nnUma decisão recente do Tribunal Superior de Mthatha determinou R1,26 milhões pela detenção ilegal de 21 dias de Thandekile Sabisa e Lawrence Mambila. No início de 2025, as ações excederam R14 bilhões para prisões e R714 milhões para incidentes de tiro. nnEspecialistas condenam a disfunção. O professor André Duvenhage da North-West University chamou o SAPS de «serviço de polícia falhado», citando corrupção e falhas éticas em meio a inquéritos como a Comissão Madlanga. Notou o desequilíbrio: 179.502 membros do SAPS contra 800.000 agentes de segurança privada, empurrando comunidades para enclaves fechados. nnWayne Duvenhage da Outa insistiu que «a responsabilidade para com o ministro», culpando liderança fraca e interferência política. Uma sondagem do HSRC mostra a confiança pública no nível mais baixo em quase três décadas, enquanto a AfriForum atribui os abusos a fraca prestação de contas e corrupção.