Os eventos trágicos em uma mina de ouro abandonada em Stilfontein no ano passado expuseram graves falhas nas operações policiais da África do Sul. Mais de 90 mineiros ilegais morreram durante um esforço de resgate, em meio a uma campanha que bloqueou suprimentos e entradas. Uma investigação revelou falhas na coleta e ação sobre informações críticas sobre os presos no subsolo.
Em meados de janeiro de 2025, equipes de resgate no poço 11 do complexo Buffelsfontein Gold Mine em Stilfontein, a sudoeste de Joanesburgo, recuperaram 93 corpos de túneis profundos. O local, uma mina de ouro abandonada, tornou-se uma cena de horror enquanto trabalhadores forenses com equipamentos de proteção carregavam cadáveres embrulhados em caminhões, e sobreviventes eram auxiliados sob forte guarda policial. Este desastre resultou da Operation Vala Umgodi, uma iniciativa policial nacional lançada em agosto de 2024 para combater a mineração ilegal. Nomeada «fechar o buraco» em isiZulu, a operação envolveu o selamento de poços principais e a interrupção de suprimentos de comida e água para forçar os mineiros – conhecidos como zama zamas – a emergir e enfrentar prisão. A estratégia visava encerrar atividades subterrâneas sem processos judiciais imediatos, mas levou a condições terríveis para os de dentro. A investigação da South African Human Rights Commission (SAHRC) destacou problemas sistêmicos. O poço 11 desce 2km por 19 níveis, exigindo elevadores para saída segura, que não estavam disponíveis. Esforços comunitários em novembro de 2024 incluíram um sistema de polia manual que salvou alguns, mas foi insuficiente para centenas presos. Imagens de câmeras e comunicação bidirecional por bilhetes com mineiros só começaram então, meses após o início da operação. Além disso, a operação ignorou detalhes emergentes de indivíduos vulneráveis no subsolo. Depoimentos à SAHRC em outubro de 2025 revelaram que a maioria dos que emergiu eram vítimas de tráfico humano, incluindo 27 crianças. Apesar disso, a polícia manteve o foco em «mineração ilegal». Uma declaração da National Joint Operational and Intelligence Structure em dezembro de 2024 insistiu que os mineiros se recusavam a sair para evitar prisão, recusando-se a adaptar táticas. O South African Police Service (SAPS) defendeu a continuação da abordagem, notando que a decomposição avançada dos corpos impedia determinar causas exatas de morte. O presidente Cyril Ramaphosa não iniciou uma comissão judicial. Vanya Gastrow, pesquisadora sênior no Institute for Security Studies, argumenta que isso reflete uma priorização de suposições sobre dados confiáveis, colocando vidas em risco e questionando compromissos com direitos humanos.